80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 02/08


Oieer! Essa é a segunda parte da série para o Dia Internacional da Mulher. Para quem não viu a primeira parte, ela pode ser acessada aqui. Mas, para você já se contextualizar, serão oito postagens, do dia 01 a 08 de março, cada uma com 10 escritoras que acho que devem ser lidas e amadas por todos. Toda lista, por maior que seja, acaba deixando algumas pessoas de fora, então várias escritoras não vão aparecer por aqui, sorry. Mas não fiquem chateados: se sentirem falta de alguém ao final da série de posts, deixe nos comentários! Quem sabe faço um post extra com algumas das autoras que ficaram pra trás? 🙂

Repetindo do primeiro post: As escritoras estão listadas a partir do ano de nascimento. Quando havia autoras nascidas no mesmo ano, organizei assim: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Além disso, optei por deixar de fora escritoras de literatura “de massa”, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. Não se ofendam, por favor <3

11. Katherine Mansfield (1888 – 1923)

A Katherine é uma das minhas favoritas da vida! Ela nasceu na Nova Zelândia e seu nome de batismo era Kathleen Mansfield Beauchamp. Veio de uma família de classe média alta, sendo filha da um banqueiro.

Katherine começou a escrever com 10 anos, e seus textos eram publicados em dois jornais de escola. Apesar disso, não sentia muita atração pela literatura nessa época, preferindo tocar violoncelo. Sua família se mudou para Londres durante um tempo e, quando voltaram para a Nova Zelândia, Katherine começou a se envolver mais com literatura e a fazer contos de maneira mais dedicada. Posteriormente, voltou para Londres sozinha, por não gostar do estilo de vida neozelandês da época. Em Londres, viveu uma vida boêmia e se casou e separou de seu primeiro marido em um espaço de três meses apenas. Engravidou de um amigo da família, mas perdeu o bebê.

Seu primeiro livro, In a German Pension, uma coletânea de contos, não foi bem recebido. Katherine então passou a enviar contos avulsos para uma revista, com cujo editor acabou por se casar. Sua vida e trabalho foram profundamente afetados pela morte do irmão como soldado na Primeira Guerra Mundial, fato que acabou fazendo com que ela entrasse em depressão.

A depressão debilitou sua saúde, e Katherine contraiu tuberculose. Nessa época, tinha amizade com D.H.Lawrence e Virginia Woolf, e foi quando produziu a obra pela qual seria mais reconhecida: a coletânea de contos Bliss. Desse livro, os contos mais famosos são Miss BrillBliss (amo!♥)

Katherine morreu em decorrência da tuberculose, quando teve uma grande hemorragia pulmonar ao subir correndo uma escada para mostrar ao marido como já estava bem de saúde.

[pb_blockquote component_description=”citação mansfield” author=”Katherine Mansfield, Stories”]Eu quero ser tudo que sou capaz de me tornar.[/pb_blockquote]

12. Gabriela Mistral (1889 – 1957)

Nascida Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, Gabriela foi uma poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena. Além disso, foi agraciada com um Nobel de Literatura em 1945, “por sua poesia lírica, inspirada por fortes emoções, que fez de seu nome um símbolo das aspirações idealistas de todo o mundo latino-americano”. Uma curiosidade: Gabriela foi a primeira pessoa latino-americana a receber esse prêmio. Outra: Ela estava morando no Rio de Janeiro na época em que o recebeu.

Em 1922, foi convidada pelo Ministério da Educação do México para ajudar nos projetos de reforma educacional do país. Porém, quando ganhou o prêmio Nobel, precisou deixar essa função para representar o Chile em comissões culturais das Nações Unidas. Mais uma curiosidade: seu rosto estampa a nota de 5000 pesos chilenos.

Sua poesia é profundamente lírica, voltada para temas como o amor, o amor materno, memórias dolorosas, mágoa e recuperação.

[pb_blockquote component_description=”citação mistral” author=”Gabriela Mistral, Concierto de amor”]Decir amistad es decir entendimiento cabal, confianza rápida y larga memoria; es decir, fidelidad.
(Dizer amizade é dizer entendimento completo, confiança rápida e longa memória; é dizer, fidelidade.)[/pb_blockquote]

13. Cora Coralina (1889 – 1985)

Cora Coralina foi uma escritora tardia. Apesar de escrever para jornais desde muito jovem, publicou seu primeiro livro com quase 76 anos, o Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Sim, ela era goiana, filha de um desembargador nomeado por D. Pedro II. Apesar disso, era uma mulher simples, que viveu quase sempre distante dos centros urbanos. Trabalhava como doceira e seu verdadeiro nome era Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.

Apesar de ter cursado apenas até a 4ª série, sempre se interessou pela literatura, tendo frequentado clubes literários. Morou durante 45 anos no estado de São Paulo, inicialmente no interior, depois na capital. Após a morte do marido, começou a vender livros. Mudou-se para o interior novamente, e passou a vender linguiça caseira e banha de porco.

Aos 50 anos, assume o pseudônimo que tinha escolhido para si muito antes, mas que nunca teve coragem de assumir. Mas, apesar dos passos lentos e difíceis dentro da carreira das letras, nunca deixou de escrever.

Sua poesia é permeada de elementos folclóricos e situações do cotidiano. Seu desconhecimento da gramática e a simplicidade como escrevia fez com que, em sua obra, a mensagem estivesse sempre acima da forma. Atingiu reconhecimento nacional quando a segunda edição de seu primeiro livro foi lida e elogiada por Carlos Drummond de Andrade. E, apesar do início tardio, Cora encerrou sua obra com quatro livros publicados, três de poesias e um de contos. Além dessas, mais cinco obras foram publicadas postumamente, três infantis e duas de poesia.

[pb_blockquote component_description=”citação cora” author=”Cora Coralina, O Cântico da Terra”][…]

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

[…][/pb_blockquote]

14. Agatha Christie (1890 – 1976)

Agatha Mary Clarissa Christie, nascida Agatha Mary Clarissa Miller, foi uma romancista, contista, dramaturga e poeta britânica. Mas isso vocês já devem saber, já que ela é uma das escritoras mais conhecidas no mundo. Destacou-se especialmente no subgênero do romance policial, tendo escrito mais de 80 livros, alguns deles sob o pseudônimo de Mary Westmacott.

A escritora figura no Guiness Book como a romancista mais bem sucedida da história. Quando se trata de quantidade de exemplares vendidos, só fica atrás de Shakespeare e da Bíblia. Seu livro mais vendido é O caso dos dez negrinhos, mas há diversas de suas obras que são extremamente conhecidas em todo o mundo.

Até os 16 anos, foi educada em casa, com tutores e professores particulares. Depois disso, foi colocada em uma escola de aperfeiçoamento, e se destacou como cantora e pianista. Casou-se aos 24 anos com um piloto do Corpo Real de Aviadores e, enquanto ele esteve na Primeira Guerra Mundial, Agatha trabalhou em um hospital e em uma farmácia, duas funções que influenciariam suas obras.

Começou a escrever seu primeiro romance em 1916, mas ele só foi aceito para publicação quatro anos depois, depois de ser recusado por seis editoras. Entretanto, somente seu sétimo livro, O Assassinato de Roger Ackroyd, lhe trouxe sucesso. Nele, Agatha Christie rompe com muitas características que o romance policial tinha até então.

Aos 29 anos teve sua única filha. Sete anos depois, em 1926, perde a mãe. No mesmo ano, o marido pede o divórcio, revelando estar apaixonado por outra mulher. Ele decide ficar fora durante o fim de semana, com a amante e alguns amigos. Quando Agatha chega e não o encontra, pega uma mala e desaparece por vários dias, sem dar qualquer notícia. Seu carro é encontrado no dia seguinte no barranco de um lago, com os faróis acesos. Dentro dele, seu casaco de pele, uma mala e uma carteira de motorista vencida.

Seu desaparecimento causou furor, e estabeleceram uma recompensa para quem encontrá-la. Aviões, mergulhadores e escoteiros estavam envolvidos em sua busca. Agatha só foi encontrada 11 dias depois, hospedada em um hotel sob um nome falso. Foi reconhecida no hotel por um músico que teria ficado interessado na recompensa dada para quem a encontrasse.

Os motivos de seu desaparecimento são controversos. Há quem acredite que ela realmente tenha sofrido um acidente de carro e perdido a memória. Outros dizem que era uma estratégia para que seu livro mais recente vendesse mais cópias. Outras pessoas, ainda, acreditavam que era uma tentativa de se vingar do marido, simulando a própria morte para que ele fosse acusado de matá-la.

Agatha casa-se novamente, mais tarde, com um homem 14 anos mais velho. Seu último livro publicado em vida é Cai o pano, em 1975, pois ela já não se sentia mais disposta a escrever. Um mês depois, Agatha acaba falecendo em decorrência de uma pneumonia.

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Agatha Christie”]A melhor hora para planejar um livro é enquanto lava-se a louça.[/pb_blockquote]

15. Nelly Sachs (1891 – 1970)

Nelly Sachs (nascida Leonie Sachs) foi uma escritora judia alemã, cujas obras se inspiram, em grande parte, em suas experiências e de outros judeus por ocasião da ascensão do nazismo. Nelly recebeu o Nobel de Literatura em 1966, “pela sua excelente escrita lírica e dramática, que interpreta o destino de Israel com toque de força”. Seus trabalhos incluem especialmente poemas e peças teatrais.

Nelly foi educada em casa devido à sua saúde frágil. Gostava muito de dançar, mas os pais eram superprotetores e a desencorajaram de seguir nessa direção. Ela cresceu muito protegida e introvertida, e nunca se casou. Quando aconteceu a invasão nazista, Nelly ficou tão aterrorizada que perdeu a capacidade de falar durante certo tempo. O pai de Nelly já havia morrido, então ela e a mãe fugiram para a Suécia, em 1940, no último voo para esse país e uma semana antes de a família Sachs ser agendada para se reportar a um campo de concentração.

Depois da morte da mãe, Nelly passou por diversos problemas psicológicos, como alucinações, paranoias e a ilusão de que estava sendo perseguida por nazistas. Em decorrência disso, passou muito tempo em instituições psiquiátricas. Sua pior crise foi desencadeada por ouvir pessoas falando alemão durante uma viagem para a Suíça para receber um prêmio literário.

Sua poesia é profundamente lírica, tendo algumas influências do Romantismo Alemão, especialmente nos primeiros trabalhos. Posteriormente, torna-se mais densa e surreal. Seus temas mais frequentes englobam o amor, a morte, o Holocausto e o judaísmo, ainda que o cristianismo também a influencie com frequência.

[pb_blockquote component_description=”citação nelly” author=”Nelly Sachs, Os desaparecidos”]
a terra não os engoliu, foi o ar?
como a areia eles são numerosos, mas não em areia
se tornaram, sim em nada, em bandos
estão esquecidos. aos montes e de mãos dadas,
como os minutos, mais do que nós,
mas sem lembrança. não inventariados,
impossíveis de ler no pó, sim desaparecidos
estão os seus nomes, colheres e solas.

não nos dão pena. ninguém se pode
lembrar deles: nasceram,
fugiram, morreram? ninguém os achou
menos. sem falha
é o mundo, mas unido
por aquilo que ele não abriga,
pelos desaparecidos. estão por toda a parte.

sem os ausentes nada existiria.
sem os fugitivos nada era firme.
sem os imensuráveis nada mensurável.
sem os esquecidos nada seguro.

os desaparecidos são justos.
assim nos desvanecemos também.[/pb_blockquote]

16. Gilka Machado (1893 – 1980)

Gilka da Costa de Melo Machado foi uma poeta erótica brasileira, a maior figura feminina do Simbolismo brasileiro. Era admirada por Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade, que a descreveu como “a primeira mulher nua da poesia brasileira”*. Ainda segundo Drummond, “as mulheres que gozam hoje de plena liberdade literária para cantar as expansões do instinto e as propriedades eróticas do corpo deviam ser gratas a essa antecessora, viúva pobre que ganhava a vida com esforço e gostava de estar ‘toda nua, completamente exposta à volúpia do vento’”.

Ganhou o 1º, 2º e 3º lugares do primeiro concurso de poesia que participou, aos 14 anos (o 2º e o 3º lugares com pseudônimos), mas foi taxada como imoral na sequência. Publicou seu primeiro livro em 1915, aos 22 anos, e já era casada à época. O marido, porém, morreu cedo, deixando-a com duas crianças. Gilka então foi diarista e continuava escrevendo. Sua persistência na escrita rendeu frutos: em 1933 recebeu o título de “maior poetisa do Brasil”.

Depois de 1938, publicou coletâneas de poemas apenas esporadicamente, sendo que a última foi lançada em 1968.

[pb_blockquote component_description=”citação gilka” author=”Gilka Machado, Esboço”]Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros…
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias…
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca…
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos…[/pb_blockquote]

17. Florbela Espanca (1894 – 1930)

Florbela foi batizada como Flor Bela Lobo, mas decidiu se autodenominar Florbela d’Alma da Conceição Espanca, e, nas obras, Florbela Espanca. Foi uma poeta portuguesa que teve uma vida bastante curta, mas muito intensa. Sua poesia é carregada de feminilidade e erotismo.

Era filha bastarda de João Maria Espanca que, casado com uma mulher estéril, Mariana do Carmo Toscano, obteve a autorização desta para ter filhos em um caso extraconjugal com a amante, Antónia da Conceição Lobo. Assim, nasceram Florbela e seu irmão Apeles, ambos criados na casa do pai, tendo Mariana como madrinha de batismo. Apesar disso, as duas crianças foram batizadas como filhos ilegítimos de pai incógnito. João Maria só reconhece a filha em cartório 18 anos após a morte dela.

 Florbela começou a escrever poemas aos 8 anos, e foi uma das primeiras mulheres em Portugal a fazer o curso secundário, período em que leu grandes autores. Casou-se cedo, aos 18 anos, com um colega de escola, Alberto. Trabalhou como jornalista e, quando tinha em torno de 24 anos, matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Lisboa. Pouco depois, precisou se recolher para repouso devido a um aborto involuntário.

Em 1919, Florbela publicou sua primeira obra. Ainda era casada com o primeiro marido quando passou a viver com outro homem, António Guimarães. No ano seguinte, separou-se definitivamente do primeiro marido e, no outro ano, casou com António. Essa relação, porém, durou apenas 4 anos. No ano seguinte, casou-se novamente, com Mário Pereira Lage.

Depois da morte do irmão num trágico acidente de avião, Florbela tentou o suicídio três vezes, sem sucesso. Nesse meio tempo, dedicava-se à preparação de sua obra-prima, Charneca em Flor. Quando descobriu que estava com um edema pulmonar, perdeu totalmente a vontade de viver e suicidou, por overdose de medicamentos. Grande parte de sua obra só foi publicada postumamente.

[pb_blockquote component_description=”citação florbela” author=”Florbela Espanca, Ser Poeta”]Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor![/pb_blockquote]

18. Cecília Meireles (1901 – 1964)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi múltipla. Escritora, pintora, jornalista e professora, esteve sempre ligada às artes e à cultura de alguma forma. Era filha de um funcionário do Banco do Brasil e uma professora de ensino fundamental. Caçula e única filha sobrevivente de seus pais, ficou órfa aos três anos de idade e passou a viver com a avó, Jacinta Garcia Benevides, uma portuguesa de Açores, também única sobrevivente da família.

Escreveu seus primeiros versos durante o ensino fundamental, quando também era apaixonada por música, tendo feito aulas de canto, violão e violino. Posteriormente, passou a se dedicar apenas a literatura, por perceber que não conseguia fazer tantas coisas ao mesmo tempo (que bom, né? significa que ela é gente como a gente).

Em 1917, aos 16 anos, formou-se na Escola Normal e passou a lecionar. Dois anos depois, lançou seu primeiro livro de sonetos. Três anos depois, em 1922, casou-se com o pintor, desenhista, e artista plástico português Fernando Correia Dias. Tiveram três filhas.

Em 1923, publica três livros, sendo um infantil. Depois disso, publica em intervalos bastante curtos, tendo publicado cerca de 40 obras literárias em vida, além de outros textos diversos.

[pb_blockquote component_description=”citação cm” author=”Cecília Meireles, Motivo”]Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.[/pb_blockquote]

19. Simone de Beauvoir (1908 – 1986)

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. Apesar de ser muito mais conhecida por suas contribuições teóricas para desenvolvimento do feminismo e do existencialismo feminista, ela, assim como Sartre, também escreveu obras literárias.

O pai de Simone, George, era ator amador e advogado, ex-membro da aristocracia francesa. Sua mãe, Françoise, vinha da alta burguesia francesa. Porém, logo que se casaram, o pai de Françoise faliu, lançando a família inteira na pobreza e desonra. George não recebeu o dote que receberia ao se casar com Françoise e voltou a trabalhar como advogado, contra a vontade.

Apesar disso, Simone e sua irmã Poupette tiveram uma ótima educação, e Simone cursou matemática, literatura e línguas e, por fim, filosofia na Universidade de Paris, onde conheceu Jean-Paul Sartre, com quem teve um relacionamento aberto durante toda a vida.

Seu primeiro romance, A convidada, foi publicado em 1943, quando Simone tinha 35 anos. A obra explorava dilemas existencialistas da liberdade, responsabilidade individual, etc. Essa temática surge também em seus romances posteriores O sangue dos outros Os mandarins, este último sendo considerado sua obra-prima dentre suas obras literárias.

Escreveu diversas peças de teatro, ensaios e obras autobiográficas, mas sua obra mais conhecida é certamente O segundo sexo, ensaio filosófico que lançou as bases para a existência da teoria feminista.

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Simone de Beauvoir, Amor e liberdade: ensaio de moral conjugal”]O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.[/pb_blockquote]

20. Pagu (Patrícia Galvão) (1910 – 1962)

A brasileira Patrícia Rehder Galvão foi tão múltipla quanto (ou talvez ainda mais) as outras escritoras apresentadas na lista de hoje. Isso porque se desdobrou em escritora, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política.

Ainda que tivesse apenas 12 anos quando da Semana de Arte Moderna, foi, posteriormente, de grande importância dentro do movimento brasileiro. Era militante comunista e foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas.

Pagu tinha modos escandalosos para a época, como fumar em público e usar cabelos curtos. Foi musa dos modernista e chegou a ser casada com Oswald de Andrade por algum tempo, com quem teve um filho, Rudá. Casou-se novamente com Geraldo Ferraz, com quem teve outro filho, Geraldo.

Seu primeiro livro, Parque Industrial, foi publicado em 1933, sob o pseudônimo de Mara Lobo. Parque Industrial é considerado o primeiro romance proletário do Brasil. Seu livro seguinte foi A Famosa Revista, escrito em parceria com o segundo marido. Escreveu ainda contos policiais e traduziu autores como James Joyce, Octavio Paz e Eugène Ionesco.

[pb_blockquote component_description=”citação pagu” author=”Pagu, Parque Industrial”]O apito da chaminé gigante, libertando uma humanidade inteira que se escoa para as ruas da miséria.[/pb_blockquote]

E aí? Estão gostando? Muitas escritoras que vocês não conheciam?

Amanhã tem mais algumas! E até dia 8 vamos passar por várias mulheres maravilhosas. Acompanhem! 🙂

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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