80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 03/08


Yay! Essa é a terceira postagem da série para o Dia Internacional da Mulher. Quem perdeu as duas primeiras, pode acessá-las aqui e aqui. Em cada uma das postagens, 10 escritoras maravilhosas que todo mundo devia conhecer.

Essa terceira listagem traz algumas das minhas escritoras preferidas, como a muuuuito amada Clarice Lispector, além de Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles e Carolina Maria de Jesus.

Repetindo sobre a organização: As autoras estão listadas a partir do ano de nascimento. Quando havia autoras nascidas no mesmo ano, segui dois critérios: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Além disso, optei por deixar de fora escritoras de literatura “de massa”, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. Não se ofendam, por favor <3

21. Rachel de Queiroz (1910 – 2003)

Primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz foi tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista e dramaturga. Descende, pelo lado materno, de José de Alencar, e teve grande destaque na ficção social nordestina.

Começou a publicar crônicas e poemas aos 15 anos no jornal O Ceará, usando o pseudônimo de Rita de Queluz. No mesmo ano, lançou um romance em forma de folhetim. Ficou famosa nacionalmente aos 19 anos, quando publicou O quinze, sua obra mais conhecida e que traz preocupações sociais, enfocando a seca e a miséria no nordeste.

Participa da formação do primeiro núcleo do Partido Comunista Brasileiro, mas em 1933 tem desentendimentos com a direção do partido e vai para São Paulo, se filiando ao Sindicato de Professores de Ensino Livre. Foi presa em 1937, acusada de ser comunista, e teve vários de seus livros queimados. Mas em 1964, apoiou o início da ditadura militar, tendo participado do partido ARENA.

Entre seus livros mais famosos estão As Três Marias, Dôra, Doralina Memorial de Maria Moura, adaptada para a televisão em 1994. Escreveu romances, crônicas, literatura infanto-juvenil, autobiografia, memórias gastronômicas (?), peças de teatro, etc. No fim da vida, transformou a fazenda que tinha em reserva particular de patrimônio natural.

[pb_blockquote component_description=”citação rq” author=”Rachel de Queiroz, Dôra, Doralina”]Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer.[/pb_blockquote]

22. Elizabeth Bishop (1911 – 1979)

Elizabeth Bishop foi uma poeta estadunidense, considerada como uma das maiores poetas de língua inglesa do século XX. Perdeu o pai ainda bebê e a mãe, com problemas psicológicos, ficou internada depois da morte do marido até sua própria morte. Por esse motivo, Elizabeth foi criada inicialmente pela família da mãe, no Canadá, e posteriormente pela família do pai, em Worcester e Boston (EUA).

Graduou-se em Inglês (algo correspondente ao curso de Letras) no Vassar College, em Nova Iorque. Foi bastante influenciada pela poeta Marianne Moore, 14 anos mais velha, de quem foi amiga. Sua admiração por Marianne era tanta que durante um bom tempo não conseguia chamá-la pelo primeiro nome em suas cartas, chamando-a “Senhorita Moore”. Somente depois de muito tempo de amizade, e a pedido de Marianne, Elizabeth começou a chamá-la pelo nome.

Suas primeiras publicações foram em jornais de escola, por incentivo de amigas. Seu primeiro livro, Norte & Sul, só foi publicado em 1946, quando Elizabeth tinha 35 anos. Ela só publicou seu segundo livro em 1955 e o terceiro em 1965. Neste último, Questions of travel, Elizabeth inseriu alguns poemas que versam sobre o período em que morou no Brasil, como Arrival at SantosManuelzinho The Riverman. Seu último livro só foi publicado em 1977, porém, em 1969, publicou Poesia Completa, reunindo os trabalhos anteriores.

Seu estilo literário é bastante objetivo e, ainda que trate de temas relacionados à sua vida pessoal, o faz de um ponto de vista mais distante. Nunca quis ser referida como uma “mulher poeta” ou “poeta lésbica” (o que ela era) pois achava que essas denominações delimitariam e, de certa forma, diminuiriam seu trabalho.

[pb_blockquote component_description=”citação eb” author=”Elizabeth Bishop, A arte de perder”]A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.[/pb_blockquote]

23. Helena Kolody (1912 – 2004)

Helena Kolody foi uma poeta brasileira, paranaense, filha de imigrantes ucranianos. Assim como várias das escritoras apresentadas nessa série, também começou publicando textos na adolescência (com 16 anos), em jornais e revistas.

Helena foi professora de Ensino Médio e inspetora de escola pública. Foi também a primeira mulher a publicar haicais no Brasil, e era admirada por Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski.

Seu primeiro livro foi publicado em 1941, quando tinha 29 anos. Nele, já usava a forma do haicai, a qual seria uma de suas especialidades. Para quem não sabe, o haicai é uma forma poética de origem japonesa, que foi adaptada/alterada no Brasil por poetas como Guilherme de Almeida, Paulo Leminski e Helena Kolody, entre outros. É uma poesia mínima, concisa, geralmente contando com 14 sílabas poéticas distribuídas em três versos.

Em 2003, já com 91 anos, Helena Kolody recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Paraná, falecendo no ano seguinte.

[pb_blockquote component_description=”citação hk” author=”Helena Kolody, Poesia mínima”]Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos[/pb_blockquote]

24. Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977)

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora nascida em Sacramento (MG), mas que morou grande parte da vida na favela do Canindé, zona norte de São Paulo. Sua mãe era casada, mas se apaixonou por um repentista e engravidou dele. Nasceu Carolina. A mãe levou a filha a um médium na cidade, para saber porque ela era tão chata. O médium respondeu que ela não era chata, que Carolina seria poetisa e a mãe ficou preocupada, achando que fosse doença*.

Quando criança, a mãe forçou-a a frequentar a escola quando a esposa de um fazendeiro rico decidiu pagar os estudos de crianças pobres do bairro. Carolina parou de frequentar a escola um ano e meio depois, mas aprendeu a escrever e manteve o hábito da leitura. Com 19 anos, Carolina e sua mãe chegaram a ser presas por Carolina saber ler. É que acreditavam que ela lia para poder praticar feitiçaria (cês acreditam nesse absurdo???)

Quando sua mãe morreu, em 1937, Carolina migrou para São Paulo a pé. Inicialmente, conseguiu um emprego de doméstica, morando onde trabalhava. Mas quando engravidou do primeiro filho, acabou indo para a rua. Havia uma política higienista na época, e passavam com caminhões levando todos os moradores de rua para a favela do Canindé. Carolina foi levada para lá, construiu sua casa na favela e começou a catar papel para conseguir seu sustento. Sempre que encontrava cadernos no lixo, guardava para escrever. Começou fazendo diários, o que incomodava as outras pessoas da favela, por elas não saberem ler e por Carolina escrever a respeito deles, frequentemente ameaçando-os quando faziam alguma coisa que ela condenava, dizendo “olha que eu ponho você no meu livro!”

Teve vários relacionamentos na juventude, mas se recusava a casar por já ter presenciado muitos casos de violência doméstica. Seus três filhos tinham pais diferentes, mas apenas o da caçula, Vera Eunice ajudava esporadicamente Carolina.

Carolina foi descoberta em 1958 pelo jornalista Audálio Dantas quando este cobria a abertura de um parque municipal. Uma gangue de rua reivindicou a área logo após a cerimônia, mandando embora as crianças. Carolina conseguiu afastar a gangue do local com a ameaça de que os colocaria em seu livro. Audálio ficou encantado com o retrato do cotidiano da favela desenvolvido por Carolina, e decidiu que iriam publicar aqueles diários. A princípio, publicou alguns trechos no jornal, mas, devido à ótima repercussão, acabou publicando a obra completa, que foi batizada Quarto de Despejo, que é a forma como Carolina se refere à favela, comparando a cidade à sala de estar e a favela ao local onde colocam aquilo que não querem que seja visto em tal espaço. O que não é aceito e é marginalizado.

A tiragem de dez mil exemplares se esgotou em uma semana. A obra foi traduzida para treze idiomas e se tornou best-seller nos Estados Unidos e Europa. Como consequência, os vizinhos da favela começaram a hostilizá-la, afirmando que ela estava ganhando dinheiro às custas de falar mal deles.

Carolina mudou-se para uma casa no subúrbio, com os ganhos iniciais de seu livro. Escreveu outros livros e gravou um álbum com músicas compostas por ela. Porém, tendo se desentendido com Audálio e havendo passado o furor de sua primeira obra, a recepção de seus outros trabalhos foi muito mais fraca. Precisou vender a casa que comprou e mudar para uma mais barata, e voltou a catar papelão esporadicamente. Morreu pobre e esquecida, vítima de uma crise de asma.

Algumas de suas obras foram publicadas postumamente e, ainda que Carolina tenha continuado popular nos Estados Unidos (sua obra era lida em escolas), no Brasil, apenas recentemente foi resgatada do esquecimento e voltou a ser lida, discutida e estudada.

[pb_blockquote component_description=”citação cmj” author=”Carolina Maria de Jesus, Cinderela Negra”]Enquanto os outros me admiravam so uma coisa me entristecia e me preocupava. Eu lutava para ficar livre do pensamento poético que me impedia o sono. Percebi que andando de um lado para outro o pensamento poético dissipava um pouco (…) Quando sentia fome as ideias eram mais intensas (…) Creio que já familiarizei com essa miniatura de calvário. Quando percebo que estou exausta, sento com lápis na mão e escrevo.[/pb_blockquote]

25. Marguerite Duras (1914 – 1996)

Marguerite Donnadieu nasceu em Gia-Dinh (nome anterior de Saigon), na colônia francesa Cochinchina, Indochina Francesa, atual Vietnã. Foi romancista, novelista, roteirista, poeta, diretora de cinema e dramaturga.

Sua família, francesa, foi para a Cochinchina a partir do incentivo do governo Francês para que franceses se estabelecessem na colônia. Pouco tempo após chegarem, porém, o pai de Marguerite adoeceu e voltou para a França em busca de tratamento. Lá, acabou falecendo, e a mãe de Marguerite ficou na colônia com os filhos.

Aos 17, Marguerite vai para a França e começa a faculdade de Matemática, a qual abandona para estudar Ciências Políticas e depois Direito. Depois de completar seus estudos, entrou para o Partido Comunista Francês, envolvendo-se com a Resistência Francesa, ao mesmo tempo em que trabalhava numa espécie de departamento de censura do governo de Vichy (a cuja ideologia era era contrária).

Escreveu diversos romances, peças, contos, etc. Mas sua obra mais famosa é, sem dúvida, o romance O amante. Seus trabalhos literários foram frequentemente relacionados ao existencialismo e ao nouveau roman (novo romance). Também foi reconhecida por ter sido roteirista do filme Hiroshima, meu amor, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar em 1959 para a categoria de melhor roteiro original.

Além dos livros e roteiros, Marguerite dirigiu diversos filmes, mas não obteve o mesmo reconhecimento com eles que o que conseguiu com seus livros.

[pb_blockquote component_description=”citação md” author=”Marguerite Duras”]Uma escritora é um país estrangeiro.[/pb_blockquote]

26. Zélia Gattai (1916 – 2008)

Zélia Gattai foi uma escritora tardia. Começou a escrever aos 63 anos e seu livro de estréia, Anarquistas, graças a Deus, fez muito sucesso, tendo sido adaptado para a televisão como minissérie. Esse primeiro, assim como mais oito de seus livros, seguem um formato autobiográfico e memorialista. Além desses, Zélia escreveu um romance, uma fotobiografia do marido, o escritor Jorge Amado, e três livros infantis.

Zélia era filha de imigrantes italianos e participava, com a família, do movimento político-operário anarquista, o qual era bem popular entre imigrantes italianos, espanhóis e portugueses. Foi esse posicionamento político que a aproximou de Jorge Amado, de quem era leitora e fã. Trabalharam juntos, em 1945, no movimento pela anistia dos presos políticos e casaram-se pouco tempo depois. Nessa época, Zélia era divorciada e tinha um filho, tendo mais dois com Jorge Amado. A caçula, Paloma, nasceu na Tchecoslováquia, no período que Zélia e Jorge se exilaram em decorrência da extinção e proibição do Partido Comunista, pelo qual Jorge Amado estava eleito para a Câmara Federal. Nessa época, foram vigiados tanto pela CIA como pelo Serviço de Segurança Soviético. Posteriormente, voltaram para o Brasil e em 1963 mudaram-se para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, Bahia, local onde hoje funciona um museu em memória ao casal de escritores.

[pb_blockquote component_description=”citação zg” author=”Zélia Gattai”]Escrevo, assim, com liberdade e com o coração.[/pb_blockquote]

27. Doris Lessing (1919 – 2013)

Doris May Tayler foi uma escritora britânica e, como algumas outras escritoras que já passaram por aqui, também ganhadora do Nobel de Literatura. Doris foi agraciada com esse prêmio por verem-na como “a contadora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida”. Sua obra, aliás, também é bastante dividida, indo da autobiografia à ficção científica, e passando por contos, ensaios, peças de teatros, séries de livros, etc.

A decisão da Academia Sueca de dar o Nobel para Doris foi contestada por diversos críticos, como Harold Bloom, que apontou que Doris teve boas obras no início da carreira, mas que sua ficção científica seria ruim; e Umberto Eco, que mostrou estranhamento por o prêmio ser atribuído novamente a alguém escrevendo em língua inglesa (o último tinha sido dois anos antes e, aparentemente, há uma regra não dita de tentar diversificar os selecionados).

O fato é que a autora possui uma obra extensa que se divide em três linhas: a primeira, de inspiração comunista, vai de 1944 a 1956; a segunda, de temática psicológica, vai de 1956 a 1969; e a terceira, de inspiração sufista/de ficção científica, de 1970 a 2000.

Doris publicou seu primeiro livro aos 30 anos, mas seu livro mais famoso, The Golden Notebook, só é lançado em 1962, representando seu estabelecimento como escritora consagrada.

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Doris Lessing”]Isto é o que é aprender: você repentinamente compreende algo que você soube durante toda a sua vida, mas de um modo novo.[/pb_blockquote]

28. Clarice Lispector (1920 – 1977)

Minha musa inspiradora, meu crush literário eterno ♥, Clarice foi uma escritora e jornalista que nasceu na Ucrânia, chegou no Brasil ainda bebê e foi naturalizada brasileira. Aliás, considerava-se pernambucana, uma vez que, apesar de terem se estabelecido inicialmente em Maceió, logo mudaram para Recife, onde moraram até 1934, quando mudaram para o Rio de Janeiro.

Clarice aprender a ler e escrever aos sete anos, e escreveu sua primeira peça de teatro aos nove, inspirada por uma peça que tinha visto. Escrevia para tentar entreter a mãe, cada vez mais debilitada. Infelizmente, a mãe morreu no mesmo ano, antes que Clarice completasse 10 anos.

Com 13 anos, Clarice decidiu que seria escritora. Lia coisas diversas, misturava romances para mocinhas com Dostoiévski. Nessa época, leu O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse e ficou chocada. Começou a escrever um conto que não acabava mais, mas acabou jogando-o fora.

Em 1939, entrou na faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, motivada por seus desejos de mudanças sociais. No ano seguinte, com menos interesse pelo Direito e mais pela Literatura, publicou seu primeiro conto em uma revista. Clarice perde seu pai no mesmo ano, em decorrência de um problema de vesícula.

Clarice e sua irmã do meio, Elisa, foram morar com a irmã mais velha, Tania, que na época já era casada e assumiu o cuidado com as duas irmãs. Tentou conseguir um emprego na imprensa, mas teve muita dificuldade. Por meio de alguns contatos, conseguiu enfim, em 1941, entrar na Agência Nacional como editora e repórter.

Na Agência Nacional, conheceu Lúcio Cardoso, escritor e jornalista já conhecido, por quem desenvolveu grande amizade e uma paixão não correspondida, uma vez que ele era homossexual. O trabalho e a amizade com Cardoso fizeram com que Clarice conhecesse diversas personalidades importantes, como Vinícius de Moraes e Rachel de Queiroz.

Ao final do ano de 1941, começou um relacionamento com Maury Gurgel Valente, com quem se casaria em 1943, o mesmo ano da publicação de seu primeiro romance Perto do Coração Selvagem. Sua publicação causou furor entre os críticos. Houve principalmente elogios, comparações com Virgínia Woolf, James Joyce e Marcel Proust, e algumas poucas críticas negativas. Clarice, entretanto, não ficou sabendo da recepção de sua obra de imediato, uma vez que mudou-se com o marido para fora do país pouco tempo depois.

Clarice publicou 7 romances em vida (mais um póstumo), uma novela (A hora da estrela), 6 livros de contos (mais um póstumo), além de livros infantis, crônicas, ensaios, entrevistas, etc. Sua obra faz com que possa ser considerada como uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX e a mais importante escritora judia desde Kafka.

(E, além de tudo, ela era lindíssima ♥) #babomesmo

[pb_blockquote component_description=”citação cl” author=”Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.”]A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas – escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.[/pb_blockquote]

29. Nadine Gordimer (1923 – 2014)

Outra ganhadora no Nobel de Literatura, Nadime Gordimer é uma escritora sul-africana, tendo enfocado em várias de suas obras as consequências nefastas do Apartheid. Escreveu mais de 30 livros, entre romances, contos, peças e ensaios, e o livro considerado como sua obra-prima é Um mundo de estranhos. Seu prêmio Nobel foi devido ao fato de que, “pela sua magnífica escrita épica, trouxe (…) um grande benefício para a Humanidade”.

Sua obra fala muito a respeito de moral e raça. Foi amiga próxima dos advogados de defesa de Nelson Mandela, tendo ajudado este com seu discurso de defesa. Ela também estava envolvida com as causas relacionadas à conscientização, prevenção e tratamento do HIV/AIDS.

Seu interesse pela desigualdade econômica e entre etnias na África do Sul se deveu, em grande parte, à influência dos pais. Seu pai fugiu do Império Russo como refugiado durante o período czarista, e sua mãe tinha uma creche para crianças negras e pobres. Esses dois fatores ajudaram a moldar sua visão política e sua sensibilidade para a discriminação em seu país.

Nadime publicou seus dois primeiros textos aos 15 anos. Eram dois contos infantis e foram publicados em um jornal para crianças e uma revista. Aos 16, publicou seu primeiro texto para adultos. Em 1951, o New Yorker aceitou um conto seu, e desde então Nadime publicou com frequência nesse jornal e em jornais literários diversos. Nesses veículos, publicava sempre contos: acreditava que era o gênero mais adequado à sua época.

Nadime tinha 26 anos quando publicou seu primeiro livro, uma coletânea de contos chamada Face to Face, publicada em 1949. Já o seu primeiro romance, The Lying Days, foi publicado somente em 1953, quando Nadime estava com 30 anos. Sua obra compreende 15 romances, algumas peças e ensaios e 21 coletâneas de contos.

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Nadine Gordimer”]A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um alto-falante.[/pb_blockquote]

30. Lygia Fagundes Telles (1923 – )

Lygia Fagundes Telles, nascida Lygia de Azevedo Fagundes, é provavelmente a maior escritora brasileira viva. ainda que tenha escrito 4 romances, destaca-se especialmente nos contos (são 21 livros), além das traduções e adaptações.

Filha de um delegado e promotor público, passou boa parte de sua infância morando em cidades do interior do estado de São Paulo. Publicou seu primeiro livro, uma coletânea de contos, aos 15 anos, dois anos depois do divórcio dos pais e com ajuda do pai para custeio da edição.

Assim que terminou os estudos no colégio, foi para a Escola Superior de Educação Física, frequentando ao mesmo tempo um curso preparatório para a Faculdade de Direito. Em 1941, começou o curso de Direito e concluiu o de Educação Física.

Durante o tempo que cursou Direito, participou de debates literários, onde conheceu Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Paulo Emílio Salles Gomes. Nessa mesma época conheceu a poeta Hilda Hilst, que seria sua melhor amiga.

 Publicou seu segundo livro em 1944, aos 21 anos. Três anos depois, casou-se com um professor seu da Faculdade de Direito que também era deputado federal, Goffredo da Silva Telles Jr., de onde veio o Telles de seu nome. O casamento durou 13 anos.

Escreveu seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, em 1954, no mesmo ano em que nasceu seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto, hoje cineasta. Ainda formalmente casada, inicia um relacionamento com Paulo Emilio Salles Gomes, relacionamento que durou até a morte deste. Quando ficou viúva de Paulo, assumiu a presidência da Cinemateca Brasileira, fundada por ele.

Recebeu em 2001 o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília e, em 2016, foi indicada para concorrer ao prêmio Nobel de Literatura. Infelizmente, quem ganhou foi Bob Dylan. Se Lygia tivesse ganhado, seria a primeira vez que o prêmio teria sido concedido a um brasileiro.

Eu, particularmente, acho que ela é quem tinha que ter ganhado mesmo, mas né? fazer o quê? :'(

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Lygia Fagundes Telles, A Disciplina do Amor”]Ele fixara em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.[/pb_blockquote]

Tantas escritoras maravilhosas, não é? Volta aqui amanhã que tem maaaaais ♥

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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