80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 04/08


Já estamos na quarta postagem da série para o Dia Internacional da Mulher!!! \o/ Se você perdeu as anteriores, pode lê-las aqui: parte 01/08, parte 02/08 e parte 03/08. Se está começando aqui, uma explicação rápida: são 10 escritoras por dia do dia 01 a 08 de março. Os recados de sempre: a lista é grande, mas não cabem toooodas as escritoras do mundo (que bom, né?), então muitas escritoras não vão aparecer por aqui. Se sentir falta de alguém ao final da série de posts, conta pra mim, pode ser que eu nem conheça, e vai ser ótimo conhecer mais uma escritora! 😀

Sobre a organização: Organizei as autoras que encontrei a partir do ano de nascimento, em primeiro lugar. Quando havia autoras nascidas no mesmo ano, segui dois critérios: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Além disso, optei por deixar de fora escritoras de literatura “de massa”, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. Não se ofendam, por favor <3

31. Harper Lee (1926 – 2016)

Nelle Harper Lee foi uma escritora estadunidente, que ganhou sucesso imediato ao lançar o romance O sol é para todos (To Kill a Mockingbird). Foi o único livro publicado por ela, ainda que, um ano antes de sua morte, tenham encontrado o original de outro romance seu, Vá coloque uma vigia (Go Set a Watchman) e, após receberem permissão de Nelle, tenham publicado tal livro. Há controvérsias se esse segundo livro seria uma sequência do primeiro ou os primeiros rascunhos deste, e também há controvérsias sobre a autorização dada por Harper Lee para publicá-lo. A autora não pretendia publicar nada além de O sol é para todos, e manteve a decisão por 55 anos, o que fez com que muita gente achasse estranha a mudança de opinião. Há quem levante ainda a hipótese de que, pela idade avançada, ela já não seria capaz de julgar se queria ou não que o livro fosse publicado, e assinaria qualquer documento que alguém de confiança lhe entregasse. Além disso, a irmã de Nelle, Alice, havia falecido pouco antes, e era ela quem cuidava desses assuntos para Nelle.

Independente dessa questão, Harper Lee foi muito reconhecida por sua primeira obra, que recebeu uma adaptação para o cinema e ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado em 1962.

Harper Lee também era muito amiga de Truman Capote e o ajudou com as pesquisas para seu best-seller In Cold Blood.

[pb_blockquote component_description=”citação hl” author=”Harper Lee, O sol é para todos”]Só existe um tipo de gente: gente.[/pb_blockquote]

32. Maya Angelou (1928 – 2014)

Marguerite Annie Johnson, estadunidense, foi uma poeta, memorialista e ativista pelos direitos civis, além de roteirista, diretora, cantora, atriz e dançarina. Sua obra é composta por diversos livros de poesia, três livros de ensaios, sete autobiografias, além de peças, bem como participação na criação de filmes e programas/séries de TV.

Maya foi, aos 17 anos, a primeira mulher negra a se tornar motorista de ônibus em São Francisco. Posteriormente, foi também a primeira mulher negra a se tornar roteirista e diretora em Hollywood. Era amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X, trabalhando com eles pelos direitos civis. Foi para a África como jornalista e professora, se envolvendo com movimentos de independência de vários países africanos.

Seu primeiro livro foi a autobiografia I Know Why the Caged Bird Sings, publicado  em 1969. A obra enfoca especialmente sua infância e adolescência, até os 17 anos. Suas autobiografias seguintes tratam cada uma de uma etapa de sua vida, sendo que a última, Mom & Me & Mom, lança um olhar geral sobre sua experiência de vida como um todo.

Entre uma e outra autobiografia, Maya publicou seus livros de poemas e outros textos. Recitou um poema seu em 1993 no evento em que Bill Clinton assumiu a presidência dos Estados Unidos e participou da campanha presidencial de Barack Obama em 2008. Em 2011, recebeu de Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior condecoração civil dos Estados Unidos, reconhecimento a indivíduos que contribuíram com a “paz mundial, cultural ou outras importantes iniciativas públicas e privadas.”*

[pb_blockquote component_description=”citação ma” author=”Maya Angelou”]Eu aprendi que você pode dizer muito sobre uma pessoa pela maneira como ele/ela lida com essas 3 coisas: um dia chuvoso, uma bagagem perdida e a confusão das árvores de natal.[/pb_blockquote]

33. Anne Frank (1929 – 1945)

Annelies Marie Frank foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Ficou famosa após a publicação de seus diários em forma de um livro, O Diário de Anne Frank, em 1947. A obra foi publicada pelo pai de Anne Frank, o único sobrevivente da família, e relata as experiências de Anne enquanto, tentando fugir dos nazistas, ela e sua família viviam em um cômodo oculto atrás de uma estante no prédio em que seu pai trabalhou.

A família, que dividia os cômodos escondidos com mais quatro pessoas, foram traídos e denunciados e, assim, levados para campos de concentração. Uma das pessoas que sabia que a família estava escondida naquele cômodo recolheu e guardou o diário de Anne, entregando-o posteriormente ao pai.

O livro foi adaptado para o cinema e ganhou 3 Oscars. Um museu, Casa de Anne Frank, foi aberto em sua memória e a revista Times considerou Anne Frank como um ícone de seu século.

Particularmente, acredito que O Diário de Anne Frank seja um livro que deveria ser lido na escola, por todos.

[pb_blockquote component_description=”citação af” author=”Anne Frank, O Diário de Anne Frank”]O que é feito não pode ser desfeito, mas podemos prevenir que aconteça novamente.[/pb_blockquote]

34. Christa Wolf (1929 – 2011)

Christa Wolf, nascida Christa Ihlenfeld, foi uma escritora, ensaísta e crítica literária alemã. Sua obra traz muito de sua experiência durante a 2ª Guerra Mundial e o pós-guerra. Além disso, criou reescritas de obras e personagens clássicas, como em seu livro mais famoso, Cassandra, em que reescreve a Guerra de Troia como uma guerra por poder econômico e uma tranformação de uma sociedade matriarcal em sociedade patriarcal. Também em Medeia: Vozes, essa reescrita é estabelecida, quando Christa transforma o mito de Medeia, vista tradicionalmente como uma infanticida cruel, em uma história contada a partir de seis personagens diferentes e, consequentemente, a partir de diferentes pontos de vista. A versão trágica de Eurípides é, assim, contestada e rearticulada ao desmascarar estruturas de poder e os interesses por trás da marginalização das minorias.

[pb_blockquote component_description=”citação cw” author=”Christa Wolf, Em busca de Christa T.”]Quem sou eu, de fato, e o que me impede de ser eu mesma?[/pb_blockquote]

35. Hilda Hilst (1930 – 2004)

Hilda de Almeida Prado Hilst foi uma poeta, ficcionista, dramaturga e cronista brasileira, considerada como uma das maiores escritoras brasileiras do século XX.

Conheceu Lygia Fagundes Telles, que seria sua grande amiga durante a vida, em 1948, quando entrou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dois anos depois, publicou seu primeiro livro, Presságios, muito bem recebido por poetas como Jorge de Lima e Cecília Meireles. Publica o segundo livro, Balada de Alzira, no ano seguinte e, pouco tempo depois, após ler o livro Carta a El Greco, do grego Nikos Kazantzakis, decide se afastar da vida agitada de São Paulo, indo, em 1964, para a fazenda da mãe em Campinas, onde acompanha a construção de sua casa numa parte daquela propriedade. Em 1966, fica pronta sua casa, a Casa do Sol, planejada para ser um espaço de inspiração e criação artística. É nessa casa que Hilda Hilst morou até o fim da vida e que, após sua morte, se transformou em um instituto em sua memória.

Durante o tempo em que viveu na Casa do Sol, Hilda Hilst hospedou diversos artistas em busca de inspiração e de um espaço para criar. É o caso, por exemplo, de Caio Fernando Abreu.

Entre suas obras mais famosas estão os livros de poesias Alcoólicas e Do Desejo e o romance A obscena senhora D. Produziu uma série erótica/pornográfica composta pelas obras O Caderno Rosa de Lory Lamby, Contos D’Escárnio / Textos Grotescos e Cartas de um sedutor. Tais obras funcionavam também como uma crítica social e uma crítica ao funcionamento do mercado editorial. Uma de suas poesias, Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé: de Ariana para Dionísio, foi musicada por Zeca Baleiro, que organizou, com ajuda de Hilda, um álbum com 10 cantoras da música brasileira, cada uma cantando um canto da ode (esse trabalho é a coisa mais linda do mundo e vocês podem ouvir aqui).

[pb_blockquote component_description=”citação hh” author=”Hilda Hilst, A obscena senhora D.”]Desses nadas do dia a dia que vão consumindo a melhor parte de nós, queria te falar do fardo quando envelhecemos, do desaparecimento, dessa coisa que não existe mas é crua, é viva, o Tempo.[/pb_blockquote]

36. Alice Munro (1931 – )

Alice Ann Munro é uma escritora canadense, vencedora do prêmio Nobel de Literatura de 2013, apontada como a “mestra do conto contemporâneo”*.

Alice escrevia crônicas desde 1950, quando publicou seu primeiro texto. Casou-se muito jovem e teve três filhas, o que fez com que sua situação econômica não fosse muito fácil. Publicou seu primeiro livro em 1968, Dance of the Happy Shades, aos 37 anos. Ainda que suas obras tenham sido muito bem recebidas, foi só em 1976, depois de ter já três obras publicadas, que conseguiu consolidar sua carreira como escritora.

Sempre trabalhou com contos, mas em algumas de suas obras, como Lives of Girls and WomenWho Do You Think You Are? (chamado The Beggar Maid: Stories of Flo and Rose nos Estados Unidos), esses contos apareciam de forma interligada, se conectando uns aos outros.

Seu estilo é muitas vezes comparado ao de Tchekhov e apresentam conflitos que frequentemente envolvem dilemas e ambiguidades da vida, culminando em processos epifânicos. Uma curiosidade é que Alice por vezes escreve e publica versões variantes para uma mesma história, e que às vezes se recusa a ler seus trabalhos depois de prontos porque iria querer reescrevê-los de outra forma. Essa reescrita chega ao ponto de alguns personagens serem alterados, bem como a perspectiva a partir da qual a história é contada.

[pb_blockquote component_description=”citação am” author=”Alice Munro, Felicidade Demais”]Você acha que isso teria mudado alguma coisa?
A resposta é claro que sim, por algum tempo, e nunca.[/pb_blockquote]

37. Ruth Rocha (1931 – )

Ruth Machado Lousada Rocha é uma socióloga e escritora brasileira de livros infantis.

Formou-se em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, tendo sido aluna do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Trabalhou como orientadora educacional em um colégio e, em 1967, começou a escrever sobre educação para várias revistas. Porém, sua primeira obra literária, Palavras Muitas Palavras – já um livro infantil – só foi publicada em 1976, quando Ruth estava com 45 anos.

Depois desse livro, vieram duas de suas obras mais famosas, Marcelo, Marmelo, Martelo O Reizinho Mandão (que pode inclusive ser lido como uma crítica a regimes totalitários). Conta com cerca de 30 obras publicadas e faz parte da Academia Paulista de Letras desde 2008.

[pb_blockquote component_description=”citação rr” author=”Ruth Rocha”]Ideias todo mundo tem. Como é que entram na cabeça da gente? Entram porque a gente lê, observa, conversa, vê espetáculos.[/pb_blockquote]

38. Toni Morrison (1931 – )

Chloe Ardelia Wofford é uma escritora, editora e professora universitária estadunidense, vencedora do Nobel de Literatura em 1993, por seus “romances caracterizados por força visionária e lastro poético”. Estre seus trabalhos mais conhecidos estão O olho mais azulSula e Amada.

Grande leitora durante a infância, seus autores favoritos eram Jane Austen e Leon Tolstoy. Tornou-se católica aos 12 anos, tendo sido então batizada de Anthony, nome que gerou o apelido Toni. Em 1949, entrou na Howard University, formando-se em Inglês (algo como o curso de Letras) em 1953. Dois anos depois, conseguiu um Master of Arts na Cornell University. Ensinou Língua Inglesa durante dois anos em Houston e depois em Howard durante sete anos. Nessa época, conheceu Harold Morrison, um arquiteto jamaicano, com quem se casou em 1958. Tiveram dois filhos e se divorciaram em 1964. No ano seguinte, Toni começou a trabalhar como editora.

Começou a escrever depois de se envolver com um pequeno grupo de escritores na Universidade Howard que se encontravam para discutir seus trabalhos. Lá, ouviu sobre um conto sobre uma garota negra que desejava ter olhos azuis. Esse conto inspirou-a para seu primeiro romance, The Bluest Eye (O olho mais azul), publicado em 1970. Mas foi seu terceiro romance, Song of Solomon, publicado em 1977, que lhe deu reconhecimento nacional.

Amada, um de seus livros mais famosos, foi adaptado para o cinema em 1998, tendo Oprah Winfrey e Danny Glover no elenco.

 [pb_blockquote component_description=”citação tm” author=”Toni Morrison, Amada”]Estava falando do tempo. É tão difícil para mim acreditar no tempo. Algumas coisas vão embora. Passam. Algumas coisas ficam. Eu pensava que era minha rememória. Sabe. Algumas coisas você esquece. Outras coisas, não esquece nunca. Mas não é. Lugares, os lugares ainda estão lá. Se uma casa pega fogo, desaparece, mas o lugar – a imagem dela – fica, e não só na minha rememória, mas lá fora, no mundo.[/pb_blockquote]

39. Sylvia Plath (1932 – 1963)

Sylvia Plath foi uma escritora estadunidense, romancista, poeta e contista. Sua obra é considerada um avanço na poesia confessional e suas obras mais famosas são The Colossus and Other Poems e Ariel. Outra obra famosa foi A Redoma de Vidro, um romance semi-autobiográfico que Sylvia publicou sob o pseudônimo de Victoria Lucas, uma vez que a obra trazia muitas informações reais de sua vida.

Sylvia tinha oito anos quando seu primeiro poema foi publicado na seção infantil do jornal de Boston, cidade onde morava. Nos anos seguintes, publicou vários poemas em jornais e revistas da região e aos 11 anos começou um diário.

Em 1950, entrou no Smith College, sempre se saindo muito bem nos estudos. Sylvia editava um jornal da faculdade e durante o terceiro ano de faculdade, ganhou uma posição de editora convidada em uma revista, o que fez com que ela passasse um mês em Nova Iorque. A experiência, porém, não foi como ela imaginava: Sylvia não foi chamada para uma reunião que seu editor conseguiu com o poeta Dylan Thomas, que ela venerava. Sylvia passou os dias seguintes em torno do hotel no qual o poeta havia se hospedado, mas não conseguiu encontrá-lo antes que ele voltasse para a escócia.

Algumas semanas depois, começou a cortar as próprias pernas para ver se tinha coragem de suicidar. A primeira tentativa de suicídio de fato ocorreu em 1953, quando ela rastejou para dentro de um buraco embaixo de sua casa e tomou diversas pílulas para dormir de sua mãe. Foi encontrada três dias depois e internada durante os seis meses seguintes em um hospital psiquiátrico, onde recebeu tratamentos bastante violentos, como terapia de choque. Quando saiu da internação, terminou sua faculdade, recebendo grandes honras por suas ótimas notas.

Em 1956, Sylvia conheceu o poeta Ted Hughes, com quem se casou quatro meses depois. No ano seguinte, começou a dar aulas na faculdade onde havia se formado, mas achava difícil conciliar as aulas com a escrita. Para resolver isso, Sylvia começou a trabalhar como recepcionista na ala psiquiátrica do Hospital de Massachusetts.

Seu primeiro livro, The Colossus, foi publicado em 1960. A Redoma de Vidro, seu segundo livro, foi terminado no ano seguinte, mas só foi publicado em 1963. Antes disso, porém, em 1962, Sylvia sofreu um acidente de carro que foi mais uma de suas tentativas de suicídio. No mês seguinte ao acidente, descobriu que seu marido estava tendo um caso com outra mulher, e se separaram.

No fim do mesmo ano, Sylvia passou por sua fase mais criativa, o que lhe rendeu seus poemas mais famosos. O começo do ano seguinte, porém, foi muito difícil para ela. Foi o inverno mais frio dos últimos 100 anos, e seus filhos (com dois anos e nove meses) ficavam frequentemente doentes. A casa não tinha telefone e sua depressão voltou com muita intensidade. Mesmo assim, terminou a coletânea de poemas que seria publicada logo após sua morte.

Sylvia chegou a falar com seu médico e uma amiga a respeito da crise depressiva pela qual estava passando, disse que tinha insônia, agitação e pensamentos suicidas. Seu médico prescreveu um antidepressivo e a visitava diariamente e, posteriormente, arrumou uma enfermeira para morar com Sylvia. Quando a enfermeira chegou, já encontrou Sylvia morta, com a cabeça dentro do fogão. Ela teria ligado o gás depois de selar o quarto das crianças com toalhas para que o gás não entrasse. Ela tinha 30 anos.

Há controvérsias a respeito do destino de seus poemas, diários e de um livro não acabado. Algumas pessoas acreditam que o ex-marido os tenha queimado, afirmando que “ela não gostaria que as crianças lessem aquilo”.

[pb_blockquote component_description=”citação sp” author=”Sylvia Plath, A redoma de vidro”]Não teria feito a menor diferença se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse – fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangcoc –, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado.[/pb_blockquote]

40. Lygia Bojunga (1932 – )

Lygia Bojunga, escritora brasileira, começou sua carreira como atriz, dedicando-se ao rádio e ao teatro antes da literatura infantil. Publicou seu primeiro livro, Os Colegas, em 1972, com 40 anos, mas suas obras mais famosas são, primeiramente, A Bolsa Amarela (1981) e O Sofá Estampado (1980).

Costuma ser apontada pela crítica como herdeira/sucessora de Monteiro Lobato, pela liberdade e imaginação que dá às crianças em suas obras, numa espécie de “empoderamento” da criança. Em sua ficção, mistura o real ao imaginário, e em seu estilo, a linguagem coloquial ao monólogo interior.

É um dos maiores nomes da literatura infanto-juvenil brasileira, e sua obra já foi traduzida para diversos idiomas.

[pb_blockquote component_description=”citação lb” author=”Lygia Bojunga, A bolsa amarela”]Eu tenho que achar um lugar pra esconder as minhas vontades. Não digo vontade magra, pequenininha, que nem tomar sorvete a toda hora, dar sumiço da aula de matemática, comprar um sapato novo que eu não aguento mais o meu. Vontade assim todo o mundo pode ver, não tô ligando a mínima. Mas as outras – as três que de repente vão crescendo e engordando toda a vida – ah – essas eu não quero mais mostrar. De jeito nenhum.
Nem sei qual das três me enrola mais. Às vezes acho que é a vontade de crescer de uma vez e deixar de ser criança. Outra hora acho que é a vontade de ter nascido garoto em vez de menina. Mas hoje tô achando que é a vontade de escrever.
Já fiz tudo pra me livrar delas. Adiantou? Hmm! é só me distrair um pouco e uma aparece logo. Ontem mesmo eu tava jantando e de repente pensei: puxa vida, falta tanto ano pra eu ser grande. Pronto: a vontade de crescer desatou a engordar, tive que sair correndo pra ninguém ver.
Faz tempo que eu tenho vontade de ser grande e de ser homem. Mas foi só no mês passado que a vontade de escrever deu pra crescer também. A coisa começou assim:
Um dia fiquei pensando o que é que eu ia ser mais tarde. Resolvi que ia ser escritora. Então já fui fingindo que era. Só pra treinar.(…)[/pb_blockquote]

Chegamos à metade das autoras dessa lista! O que estão achando até agora? Muita gente que não conheciam?

Até amanhã!

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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