80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 05/08


Quiiiinta postagem da série, gente! Já passamos de 40 escritoras maravilhosas que espero que vocês agora guardem no coração e levem para a estante. Para quem está chegando agora, explico: montei uma série de oito postagens, uma por dia do dia 01 até o dia 08 de março. Cada uma traz 10 escritoras, organizadas principalmente por ano de nascimento, mas também por outros critérios que vou listar logo abaixo. Não fiquem chateados se sua escritora favorita não aparecer. Se sentir falta de alguém ao final da série de posts, me fala, tá? Vou adorar conhecer novas autoras 😀

Sobre a organização: Já disse que o primeiro critério foi a data de nascimento. Mas, se por acaso várias autoras nasceram no mesmo ano, segui dois critérios: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Além disso, optei por deixar de fora escritoras de literatura “de massa”, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. Não se ofendam, por favor <3

Vocês podem ler as postagens anteriores aqui: parte 01/08, parte 02/08, parte 03/08 e parte 04/08.

41. Susan Sontag (1933 – 2004)

Susan Sontag foi uma escritora estadunidense de origem judia. Foi ainda cineasta, professora e ativista política. Na área de não ficção, escreveu muito sobre fotografia, cultura e mídia, além de falar sobre AIDS, direitos humanos, e ideologia de esquerda.

Ela se graduou em Chicago, tendo estudado filosofia, história antiga e literatura. Era assumidamente bissexual, mas casou-se cedo, com o escritor Philip Rieff, um professor de sociologia na universidade onde Susan estudava. O casamento durou nove anos. Em certa ocasião, afirmou que teria se apaixonado nove vezes em toda a vida: por cinco mulheres e quatro homens.

Depois de se graduar, ensinou Inglês na universidade de Connecticut por um ano, após o qual começou seus estudos de pós-graduação na Harvard University. Inicialmente, estudou literatura, mudando para filosofia e teologia logo após. Depois de receber o Master of Arts em filosofia, começou sua pesquisa doutoral sobre metafísica, ética, filosofia grega, filosofia continental e teologia, também na Harvard.

Em relação a seus textos de ficção, sua primeira obra foi publicada quando tinha 30 anos, e chamou-se The Benefactor. Quatro anos depois, publicou Death Kit. Apesar de suas obras ficcionais não terem tido o mesmo impacto que seus trabalhos de não-ficção, Susan definia-se principalmente como contista e romancista. Seu conto The Way We Live Now, publicado no The New Yorker, foi o primeiro mais bem recebido. Era uma narrativa bastante experimental, que versava sobre a epidemia da AIDS. Posteriormente, em 1992, conseguiu maior sucesso com seu best-seller The Volcano Lover. Sua última obra, In America, foi publicada em 2000, quando Susan tinha 67 anos.

Além desses trabalhos, Susan escreveu e dirigiu quatro filmes e escreveu diversas peças para o teatro.

[pb_blockquote component_description=”citação ss” author=”Susan Sontag”]A coragem é uma virtude moralmente neutra.[/pb_blockquote]

42. Audre Lorde (1934 – 1992)

Audrey Geraldine Lorde foi uma escritora, feminista e ativista pelos direitos humanos. Sua prosa e poesia lida frequentemente com os temas com os quais era engajada, como os direitos civis, o feminismo e, mais especificamente, o feminismo negro, que aparece em seus trabalhos também em forma de denúncia da exploração da identidade feminina negra.

Andre(y) optou desde a infância por desconsiderar o Y final de seu nome, pela simetria artística dos Finais em E do nome “Audre Lorde”. Nascida em Nova Iorque, filha de imigrantes caribenhos, Audre aprendeu a ler e escrever aos quatro anos, com a mãe. Decorava muitos poemas e recitava-os em situações cotidianas nas quais achava que cabiam como resposta a uma pergunta ou comentário a respeito de alguma situação. Escreveu seu primeiro poema aos 12 anos.

Firmou sua identidade como mulher lésbica e poeta durante o ano que passou na Universidade Nacional do México, numa espécie de intercâmbio. Quando voltou, entrou no Hunter College, no qual se graduou em 1959. Enquanto estudava lá, trabalhou como bibliotecária e continuou escrevendo. Conseguiu o grau de mestre em Biblioteconomia na Columbia University e casou com o advogado Edwin Rollins, com quem teve dois filhos antes de se divorciar.

Publicou poesias regularmente durante os anos 60 em diversas antologias e revistas literárias negras. Seu primeiro livro foi publicado em 1968 e chama-se The First Cities. O segundo, Cables to Rage, foi publicado dois anos depois e trazia temas como amor, traição, gravidez e parto e a complexidade de criar crianças. Sua obra seguinte, From a Land Where Other People Live,  já trouxe mais de suas lutas pessoais com a questão identitária (sobre ser mulher afro-americana, mãe, amiga, amante) e injustiça social. Seu quarto livro versava mais ou menos sobre os mesmos temas.

Apesar do relativo sucesso de suas obras iniciais, foi com Coal, lançado em 1976, que Audre se estabeleceu como uma voz influente no Movimento Artístico Negro. A autora escreveu ainda mais três coletâneas de poesia antes que se voltasse para a prosa, o que aconteceu em 1980, com The Cancer Journals, que reuniu alguns de seus diários sobre quando começou sua batalha contra o câncer. O assunto é retomado oito anos depois, em A Burst of Light, livro de prosa autobiográfica no qual contou sobre seu diagnóstico, tratamento e recuperação do câncer de mama (ela posteriormente teve outros tipos de câncer durante a vida, tendo morrido em decorrência de um deles).

Escreveu ainda outros livros de ficção em prosa, além de ensaios e diversos outros textos de não-ficcção.

[pb_blockquote component_description=”citação al” author=”Audre Lorde”]Aquelas de nós que estão fora do círculo do que essa sociedade define como mulheres aceitáveis, aquelas de nós que foram forjadas nos caldeirões da diferença – aquelas de nós que somos pobres, que somos lésbicas, que somos Negras, que somos velhas – sabemos que sobrevivência não é uma habilidade acadêmica. É aprender a estar sozinha, impopular e às vezes insultada, e a fazer causa comum com aquelas outras identificadas como externas às estruturas, para definir e buscar um mundo no qual todas nós possamos florescer. É aprender a tomar nossas diferenças e torná-las forças. Pois as ferramentas do senhor nunca vão desmantelar a casa-grande. Elas podem nos permitir a temporariamente vencê-lo no seu próprio jogo, mas elas nunca nos permitirão trazer à tona mudança genuína. E esse fato só é uma ameaça àquelas mulheres que ainda definem a casa-grande como sua única fonte de suporte.*[/pb_blockquote]

43. Adélia Prado (1935 – )

Adélia Luzia Prado de Freitas é uma poetisa, professora, filósofa e contista mineira.

Adélia começa a escrever os primeiros versos quando da morte de sua mãe, em 1950. Três anos depois, conclui o curso de Magistério. Em 1955, começa a lecionar. Em 1958, casa-se com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil. Seu primeiro filho, Eugênio, nasce no ano seguinte, seguido de perto por mais quatro: Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966).

Porém, antes do nascimento da última filha, Adélia e seu marido começam uma graduação em filosofia, que Adélia termina em 1973. Nesse ano, envia alguns poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant’Anna, e este os envia para Carlos Drummond de Andrade. Doia anos depois, Drummond elogia os poemas de Adélia para Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, e sugere que os publique. Assim, seu primeiro livro, Bagagem, é lançado em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitschek, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon, entre outros.

No ano seguinte, publica mais um livro de poemas, O Coração Disparado, e, no subsequente, publica seu primeiro livro de prosa, Soltem os Cachorros. Já nessa época abandona o magistério em decorrência de seu sucesso como escritora. Dirige algumas montagens teatrais, como O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e A Invasão, de Dias Gomes, sempre escrevendo e publicando em prosa e poesia.

Seus temas sempre giraram em torno do cotidiano, da religiosidade cristã e da ludicidade. Mesmo em relação a seus versos eróticos, esses três aspectos não são deixados de lado.

[pb_blockquote component_description=”citação ap” author=”Adélia Prado, Amor Feinho”]Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.[/pb_blockquote]

44. Marina Colasanti (1937 – )

Marina Colasanti é uma escritora ítalo-brasileira nascida em Asmara, capital da Eritreia, então colônia italiana. Morou na Líbia e na Itália durante a infância, vindo para o Brasil com a família em 1948, em decorrência das dificuldades encontradas na Europa no pós-guerra.

Estudou Belas Artes, graduando-se como artista plástica, e trabalhou como jornalista no Jornal do Brasil. Também foi publicitária e tradutora. Atualmente, atua como poeta, contista, cronista, ensaísta e escritora de literatura infanto-juvenil. Seu primeiro livro foi publicado em 1968 e se chama Eu sozinha.

Suas obras falam muito sobre o feminino, a arte, os problemas sociais e o amor. E, mesmo em suas obras infanto-juvenis, é muito clara a força de suas personagens femininas, vide, por exemplo, as obras A moça tecelã e Uma ideia toda azul. E uma curiosidade: Formada em Belas Artes, é a própria Marina Colasanti que ilustra grande parte de seus livros.

Apesar de muito mais nova, foi amiga de Clarice Lispector, uma vez que foi sua editora quando Clarice publicou crônicas no Jornal do Brasil. É casada com o também escritor (e crítico literário) Affonso Romano de Sant’Anna e tem duas filhas, Fabiana e Alessandra Colasanti.

[pb_blockquote component_description=”citação mc” author=”Marina Colasanti, E por falar em amor…”]O amor não é uma emoção agressiva. Mas a paixão é. O amor é pleno, apaziguante. A paixão é cheia de suspense, enervante. Quando amo fico macia, receptiva. Em estado de paixão fico tensa, exigente. A paixão – com o ódio que vem no seu rastro – é uma super-emoção, é a olimpíada da alma, o grande show. É, enfim, a emoção perfeita para o clima de constante superação que a sociedade de consumo estabeleceu.[/pb_blockquote]

45. Nélida Piñon (1937 – )

Nélida Cuíñas Piñón é uma escritora brasileira de origem galega, a primeira mulher a se tornar presidente da Academia Brasileira de Letras. Sua obra abrange romances, memórias, contos, crônicas, uma obra infanto-juvenil e alguns ensaios. Seus títulos mais conhecidos são os romances A Casa da Paixão (1977) e A República dos Sonhos (1984); as memórias contidas em O Livro das Horas (2012) e os contos de O Calor das Coisas (1980).

Nasceu no Rio de Janeiro e desde criança queria ser escritora: na infância, escrevia pequenas histórias e as vendia ao pai e familiares. É formada em Jornalismo e já foi editora e membro do conselho editorial de várias revistas no Brasil e exterior. Estreou na literatura em 1961, aos 24 anos, com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, que, criando um diálogo entre a protagonista e seu anjo da guarda, fala sobre pecado, perdão e a relação dos mortais com Deus.

Sua estética busca uma renovação formal da linguagem. No romance Fundador, por exemplo, publicado em 1969, abandona a base realista da criação literária e mistura personagens históricos e ficcionais. Já em A casa da paixão, entra em um dos temas que apareceria em várias de suas obras: o erotismo, falando sobre o desejo e a iniciação sexual. A república dos sonhos, um de seus livros mais famosos, é um romance autobiográfico em forma de saga familiar.

[pb_blockquote component_description=”citação np” author=”Nélida Piñon, A República dos Sonhos”]Só os artistas prorrogam a existência. E isso no caso de as obras reservarem no seu bojo uma qualidade excedente.[/pb_blockquote]

46. Angela Carter (1940 – 1992)

Angela Olive Carter-Pearce, nascida Angela Olive Stalker, é uma contista, romancista e jornalista inglesa, conhecida pelos seus trabalhos feministas, picarescos e de realismo mágico.

Foi criada pela avó, tendo enfrentado a anorexia durante a adolescência. Posteriormente, formou-se em Literatura Inglesa na University of Bristol. Seus três primeiros livros, um romance e duas coletâneas de poesias, foram publicados em 1966. Depois disso, publicou um livro por ano até 1972, e depois publicou novamente em 1974, em 1977 e dois livros em 1979, sendo um deles a coletânea de contos The Bloody Chamber, um de seus livros mais famosos. Outro de seus livros mais famosos é The Company of Wolves, publicado em 1984. Mas entre esses dois – e posteriormente ao segundo – diversos outros trabalhos foram publicados, entre romances, contos, poemas, peças teatrais e literatura infantil. Angela Carter era, com certeza, uma autora muito prolífica.

Fez residência artística em diversas universidades, e escreveu diversos ensaios sobre os temas que abordava em seus trabalhos literários, sendo um dos mais famosos o The Ideology of Pornography. Além desses trabalhos, contribuiu com artigos para diversos jornais, adaptou alguns de seus contos para o rádio e escreveu dois dramas para rádio. Dois de seus trabalhos foram adaptados para o cinema, The Company of Wolves e The Magic Toyshop.

[pb_blockquote component_description=”citação ac” author=”Angela Carter, em entrevista”]Eu acho que uma das cicatrizes de nossa cultura é que nós temos uma opinião muito alta sobre nós mesmos. Nos identificamos com os anjos em vez de nos identificarmos como primatas superiores.[/pb_blockquote]

47. Teolinda Gersão (1940 – )

Teolinda Gersão é uma escritora e professora universitária portuguesa. Estudou Germanística e Anglística na Universidade de Coimbra, Universidade de Tuebingen e na Universidade de Berlim. Trabalhou na Universidade Técnica de Berlim, Faculdade de Letras de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa. Sua primeira obra foi publicada em 1969. Depois disso, só volta a publicar em 1981. publicando regularmente desde então. Viveu por um tempo em São Paulo, Brasil, e há alguns reflexos dessa estadia na obra Os Guarda-Chuvas Cintilantes. Morou também por breve tempo em Moçambique, cidade na qual decorre um de seus romances mais conhecidos, A Árvore das Palavras.

Abandonou a docência em 1995, passando a se dedicar exclusivamente à literatura. Foi escritora residente na Universidade de Berkeley e ganhou diversos prêmios pela sua obra.

 

[pb_blockquote component_description=”citação tg” author=”Teolinda Gersão, A árvore das palavras”]Estendes as folhas do jornal em cima da mesa e acendes devagar um cigarro abrindo o maço sem olhar, só pelo tacto, como se fosses cego. Não direi nada, não quero interromper-te agora. Respiro devagar, estou unida ao mundo pela boca. O hálito é um sopro, o sopro do vento. Partilho-o com o vasto horizonte em volta, faço parte dele como ele de mim.[/pb_blockquote]

48. Ana Maria Machado (1941 – )

Jornalista, professora, escritora e pintora, Ana Maria Machado é um dos grandes nomes da literatura infanto-juvenil na atualidade. Estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MOMA de Nova York. Além disso, formou-se em Letras Neolatinas, em 1964, e fez pós-graduação na UFRJ.

Deu aulas na Faculdade de Letras na UFRJ, na Escola de Comunicação da UFRJ e na PUC-Rio. Além de ter lecionado em colégios do Rio e na Sorbonne, em Paris,e na Universidade de Berkeley, Califórnia. Também foi escritora residente nessa mesma universidade.

No final de 1969, depois de ser presa pelo governo militar e ter diversos amigos também detidos, deixou o Brasil e partiu para o exílio na Europa. Trabalhou como jornalista na revista Elle em Paris e no Serviço Brasileiro da BBC de Londres. Teve aulas com Roland Barthes, terminando sua tese de doutorado em Linguística e Semiologia sob sua orientação. Ao mesmo tempo, começou a escrever histórias infantis para a então recém criada revista Recreio.

Voltou ao Brasil em 1972, e começou a trabalhar no Jornal do Brasil e na Rádio Jornal do Brasil, numa equipe jovem, ousada e inventiva contra a censura da ditadura. Seu primeiro livro foi publicado em 1976 e, no ano seguinte, ganhou o prêmio João de Barro pelo livro História Meio ao Contrário, o que chamou a atenção geral para seus trabalhos e tornou possível a publicação de diversas obras que tinha guardadas.

Ana Maria Machado ainda abriu a primeira livraria infantil do Brasil e foi editora, uma das sócias da Quinteto Editorial, junto com Ruth Rocha, sua cunhada e amiga. Ainda que maior parte de sua obra compreenda livros de literatura infantil e juvenil, também escreveu romances (nove) e ensaios (oito), completando cerca de cem livros em sua obra completa.

 

[pb_blockquote component_description=”citação aam” author=”Ana Maria Machado”]O que leva uma criança a ler é o exemplo.[/pb_blockquote]

49. Stela do Patrocínio (1941 – 1977)

Stela do Patrocínio foi uma poeta brasileira, abandonada pela família na colônia psiquiátrica Juliano Moreira, onde permaneceu internada por quase 30 anos até sua morte.

Usava uma forma de poesia oral de alto teor poético para se comunicar, o que chamou a atenção da artista plástica Neli Gutmacher quando esta, na década de 80, montou um ateliê na colônia. Algumas de suas falas foram gravadas em fitas cassetes e posteriormente transcritas, organizadas e reunidas em livro pela escritora Viviane Mosé. A obra com suas poesias, Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, chegou a ser finalista do Prêmio Jabuti e foi transformada em ópera, em 2005, pelo compositor Lincoln Antonio.

[pb_blockquote component_description=”citação sp” author=”Stela do Patrocínio, Poetry”]não sou eu que gosto de nascer
eles é que me botam para nascer todo dia
e sempre que eu morro me ressuscitam
me encarnam me desencarnam me reencarnam
me formam em menos de um segundo
se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
ou pra cabeça deles e pro corpo deles[/pb_blockquote]

50. Alice Walker (1944 – )

Alice Malsenior Walker é uma romancista, contista, poeta e ativista estadunidense. Sua obra mais famosa é A Cor Púrpura (The Color Purple), a qual foi largamente aclamada pela crítica.

Era filha de um pequeno fazendeiro e, à época, esperava-se que as crianças de fazendeiros negros trabalhassem pequenos na lavoura, mas os pais de Alice eram contra essa visão, desejando que seus filhos estudassem. Por esse motivo, a mãe de Alice trabalhava como diarista para ajudar a conseguir dinheiro para poder mandá-la para a faculdade.

Alice ingressou na escola aos quatro anos e começou a escrever aos oito, mas escondia isso de toda a família. Ficou cega de um olho na mesma época, quando um dos irmãos a atingiu com uma arma de pressão. Como a família não tinha carro, demoraram muito para chegar ao hospital e, quando conseguiram, o dano já era permanente. Com a cicatriz que se formou sobre seu olho, Alice tornou-se extremamente fechada e tímida, já que as pessoas costumavam encará-la e apontá-la. Aos 14 anos, quando a cicatriz foi retirada, Alice chegou a ser bastante popular em sua escola, mas guardou para si a ideia que, depois do acontecido, havia passado a ver realmente como são as pessoas e as coisas.

Alice entrou no Spelman College em 1961 e posteriormente transferiu-se para o Sarah Lawrence College, formando-se em 1965. Pouco antes disso, porém, acabou engravidando e sofrendo um aborto, o que a marcou profundamente e foi um dos eventos que a levou a escrever vários dos poemas que seriam publicados três anos depois em seu primeiro livro, Once.

Também em 1965, Alice conheceu Melvyn, um advogado judeu de direitos civis, com quem se casou dois anos depois. Mudaram-se para o Mississipi, onde Alice conseguiu uma posição como escritora residente, tornando-se o primeiro casal inter-racial legalmente casado do estado. Entretanto, foram perseguidos e ameaçados por brancos por esse motivo, inclusive pela Ku Klux Klan.

Seu primeiro romance The Third Life of Grange Copeland, que falava sobre a vida de Grange Copeland, um fazendeiro abusivo e irresponsável, foi publicada em 1970. Em 1976, publicou seu segundo romance, Meridian, uma narrativa semiautobiográfica sobre seu contato com a luta pelos direitos civis. Mas foi só com seu terceiro romance, The Color Purple, publicado em 1982, que alcançou sucesso. A inovação em sua obra não estava apenas no protagonismo de uma mulher negra lutando contra uma cultura racista branca e uma cultura patriarcal negra, mas também na linguagem adotada. Com uma narrativa construída a partir de cartas, Alice criou uma narradora simples, cujo pouco domínio da linguagem escrita transparecia na obra.

O romance foi adaptado para o cinema em 1985, com direção de Steven Spielberg e Oprah Winfrey e Whoopi Goldberg no elenco. Além disso, tornou-se, em 2005, um musical da Broadway, totalizando 910 performances.

[pb_blockquote component_description=”citação aw” author=”Alice Walker”]Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio.[/pb_blockquote]

Com mais essas dez escritoras incríveis, terminamos a postagem de hoje. Mas ainda temos mais três postagens até dia 08 de março! Acompanhem 🙂

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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