80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 06/08


Oi, gente! Estamos já na sexta postagem da série do Dia Internacional da Mulher, quase no fim! As escritoras desse grupo nasceram da década de 40, algumas no começo da década de 50. Várias das que estão sendo mais comentadas na atualidade fazem parte desse grupo.

Para quem chegou agora: essa série começou no dia 01 e vai até dia 08 de março, completando oito postagens, com 10 autoras cada. Se sentir falta de alguma escritora ao final da série de posts, me fala. Adoro conhecer novas autoras 😀

Você pode acessar as postagens anteriores por esses links: parte 01/08, parte 02/08, parte 03/08, parte 04/08 e parte 05/08.

E sobre a organização: As autoras foram listadas a partir do ano de nascimento, em primeiro lugar. Quando havia autoras nascidas no mesmo ano, segui dois critérios: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Além disso, optei por deixar de fora escritoras de literatura “de massa”, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. Não se ofendam, por favor <3

51. Angela Lago (1945 – )

Angela Lago é uma escritora que eu precisava muito colocar aqui, porque tenho três livrinhos dela, Casa Pequena, Casa Assombrada e Casa de Pouca Conversa, que li e reli e reli e reli durante minha infância. Tenho muito carinho por esses livrose nunca conseguiria fazer uma lista sem colocar a Angela aqui.

Ela é escritora e ilustradora. Sua obra é voltada principalmente para crianças e alguns de seus livros são compostos apenas em narrativa visual.

Angela fez faculdade de Serviço Social na Universidade Católica de Minas Gerais e frequentou o atelier do escultor Bitter, com um grupo de artistas plásticos. Já trabalhou como professora e como assistente no Instituto Psico-Pedagógico, lidando com crianças com dificuldades psico-pedagógicas e psiquiátricas.

Publica seus dois primeiros livros em 1980, O Fio do Riso Sangue de Barata, ambos com texto e ilustração de sua autoria. Desde a década de 90, trabalha como artista convidada em faculdades da UFMG, dedicando-se exclusivamente à escrita e ilustração. Desde a mesma época, incorpora a arte digital em seus trabalhos, combinando-a com bico de pena e tinta acrílica.

[pb_blockquote component_description=”citação al” author=”Angela Lago”]Gostaria de ser simples em tudo. Simplicidade é a coisa mais bonita do mundo.[/pb_blockquote]

52. Alice Ruiz (1946 – )

Alice Ruiz é uma poeta (maravilhosa) e tradutora curitibana. Começou a escrever contos aos 09 anos e poemas aos 16, mas foi só aos 26 anos que publicou seus textos pela primeira vez, em jornais e revistas. A partir dessa época, já compunha letras, tendo várias canções gravadas por parceiros e intérpretes. As letras de Se tudo pode acontecer (com música do Arnaldo Antunes, mas eu amo a versão da Adriana Calcanhotto) e Quase nada (com música do Zeca Baleiro ♥), por exemplo, são de autoria de Alice Ruiz (as outras letras vocês podem conferir aqui).

Já seu primeiro livro, Navalhanaliga, só seria publicado em 1980, quando Alice tinha 34 anos. Desde então publica com bastante regularidade, tendo publicado, até agora, 21 livros, entre poesia, literatura infantil e traduções. Lançou, ainda, um álbum musical, em 2005, Paralelas, em parceria com Alzira Espíndola, e participação de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes.

Além dessas atividades, dá oficinas de haikai, gênero poético muito frequente em sua literatura. Foi casada com o também poeta Paulo Leminski, com quem teve três filhos: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski (jornalista e atriz) e Estrela Ruiz Leminski (também escritora e compositora).

[pb_blockquote component_description=”citação ar” author=”Alice Ruiz, Drumundana”]e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria[/pb_blockquote]

53. Conceição Evaristo (1946 – )

Conceição Evaristo nasceu em uma favela na cidade de Belo Horizonte. Sua mãe era lavadeira e, assim como Carolina Maria de Jesus, escrevia um diário sobre seu cotidiano. Isso fez com que Conceição, ainda que não tivesse muito contato com livros na infância, tivesse muito contato com palavras e histórias.

Teve de conciliar os estudos com o trabalho de empregada doméstica. Isso até os 25 anos, quando conseguiu terminar o curso normal. Na sequência, foi para o Rio de Janeiro, passou em um concurso para o magistério e fez o curso de Letras na UFRJ.

Sua primeira publicação se deu em 1990, quando publicou um poema no 13º volume da série Cadernos Negros, do grupo Quilombhoje, com o qual entrou em contato na década de 1980. Depois desse primeiro texto, publicou diversos outros poemas e contos nos cadernos, partindo, depois, para publicações próprias completas. Seu primeiro livro individual foi o romance Ponciá Vivêncio, uma de suas obras mais conhecidas, publicado em 2003. A obra aborda temas como o racismo, discriminação de gênero e de classe, da mesma forma como a maior parte de sua obra publicada.

Conceição fez mestrado em Literatura Brasileira na PUC-Rio e doutorado em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense. Atualmente, leciona na UFMG. É importante militante do movimento negro, com projeção nacional e internacional, e tem aberto espaços para outras mulheres negras se apresentarem no mundo da literatura.

Sua obra mais recente é Histórias de leves enganos e parecenças, uma coletânea de contos publicada em 2016.

[pb_blockquote component_description=”citação ce” author=”Conceição Evaristo, Vozes Mulheres”]A voz da minha bisavó
Ecoou criança
nos porões do navio.
ecoou lamentos
de uma infância perdida. A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e
fome.

A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.[/pb_blockquote]

54. Elfriede Jelinek (1946 – )

Elfriede Jelinek é uma escritora austríaca que ganhou o Nobel de Literatura de 2004, “por seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que, com extraordinário zelo linguístico, revela o absurdo dos clichês da sociedade e seu poder de subjugo”*.

Seu pai era um químico judeu que conseguiu escapar da perseguição na Segunda Guerra Mundial trabalhando estrategicamente em indústrias importantes. Porém, muitos de seus parentes foram vítimas do Holocausto. Sua mãe era de uma família rica de Viena, e desejava que Elfriede fosse musicista. Por esse motivo, Elfriede aprendeu piano, órgão, violão, violino, etc. e estudou no Conservatório de Viena, onde se graduou como organista. Ela ainda começou a estudar História da Arte e Teatro na Universidade de Viena, mas abandonou os estudos devido a um transtorno de ansiedade que fez com que se isolasse durante um ano. Nessa época, começou a escrever como terapia e publicou seu primeiro livro, Lisas Schatten (Lisa’s Shadow/ A Sombra de Lisa) em 1967, aos 21 anos.

As temáticas mais frequentes em seus trabalhos são sexualidade feminina, abuso sexual e desigualdade sexual. Sua obra mais conhecida é o romance Die Klavierspielerin (The Piano TeacherA Professora de Piano), que foi adaptado para o cinema em 2001 pelo diretor também austríaco Michael Haneke, com Isabelle Huppert como protagonista.

Elfriede não foi receber o prêmio Nobel que ganhou. À época, disse que tinha ficado muito feliz com o prêmio, mas que sentiu certo desespero em relação a se tornar uma pessoa pública. Por isso, gravou uma mensagem em vídeo que foi apresentada na cerimônia, no qual fala a respeito de seu transtorno de ansiedade, agorafobia e fobia social. Ainda assim, o fato de não ter ido à cerimônia foi criticado por algumas pessoas.

[pb_blockquote component_description=”citação ej” author=”Elfriede Jelinek, A Pianista”]Quem é sensível acaba se queimando, como uma delicada borboleta noturna. E é por isso que esses dois compositores extremamente doentes, Schumann e Schubert, cujos nomes começam com a mesma sílaba, são os que estão mais próximos de meu coração arruinado. Não aquele Schumann de quem já escaparam todos os pensamentos, mas o do período imediatamente anterior. Quando ele já estava quase louco. Ele já intuía a loucura, já sofria com ela em suas mais tênues veias, já se despedia de sua vida consciente por meio de coros de anjos e de demônios, mas ainda resistia uma última vez, embora não totalmente consciente de si mesmo. Trata-se de um último auscultar atento e saudoso, e do luto pela perda do bem mais precioso: de si mesmo. A fase na qual ainda se sabe o que se está perdendo, antes de se entregar totalmente.[/pb_blockquote]

55. Lídia Jorge (1946 – )

Lídia Jorge é uma escritora portuguesa, formada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professora de Ensino Secundário em Angola e Moçambique, mas a maior parte da sua carreira docente se deu no Ensino Secundário de Portugal.

Publicou seu primeiro livro em 1980, aos 34 anos, o romance O Dia dos Prodígios, obra que se revelou muito importante na renovação da técnica romanesca portuguesa. Seu segundo romance, O Cais das Merendas, publicado em 1982, dividiu com o Memorial do Convento, de José Saramago, o Prêmio Literário Municipal de Lisboa em 1983. O mesmo prêmio foi concedido ao terceiro romance de Lídia, Notícia da Cidade Silvestre, publicado em 1984.

Porém, foi com A Costa dos Murmúrios, de 1988, que Lídia se estabeleceu definitivamente como importante escritora portuguesa. Sua obra conta, por enquanto, com 11 romances, 5 coletâneas de contos, 2 obras infantis, 1 livro de ensaios e 1 peça de teatro.

Lídia recebeu, em 2010, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Algarve. Em sua obra, o fantástico coexiste com o real e a linguagem se estabelece de forma bastante inovadora nos campos lexical e morfológico.

 

[pb_blockquote component_description=”citação lj” author=”Lídia Jorge, A noite das mulheres cantoras”]Eu mantenho o hábito de chegar com um bom tempo de avanço e de ficar encostada ao muro da Casa Paralelo, a olhar para o Tejo e para a História em formato liliputiano, e por isso às vezes assisto à chegada de Gisela.[/pb_blockquote]

56. Elvira Vigna (1947 – )

Elvira Vigna é uma escritora, ilustradora e jornalista brasileira. Vários de seus livros estão disponíveis na íntegra em seu site, no caso de estarem fora de catálogo.

Elvira é formada em Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, na França, e mestre em Comunicação pela UFRJ. Durante o início de sua carreira literária, na década de 1970, dedicou-se à literatura infantil. Abandonou a literatura por um tempo, dedicando-se à crítica e ao jornalismo e, quando voltou à literatura, passou a escrever para adultos. Seu primeiro romance dessa segunda fase é Sete Anos e Um Dia, publicado em 1988. Como está fora de catálogo, está disponível na íntegra no site. Seu segundo romance só surge em 1997, O Assassinato de Bebê Martê, seguido, em 1998, pelo terceiro romance, Às Seis em Ponto. Mas é apenas a partir de 2002 que Elvira passa a publicar com maior regularidade, tanto em relação a narrativas curtas publicadas em meios diversos quanto em relação aos romances. Quase sequencialmente, Elvira publica Coisas que os Homens Não Entendem (2002), A um Passo (2004), Deixei Ele Lá e Vim (2006), Nada a Dizer (2010), O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor (2012), Por Escrito (2014) e, o mais recente, Como Se Estivéssemos Em Palimpsesto de Putas (2016).

[pb_blockquote component_description=”citação ev” author=”Elvira Vigna, Por escrito”]Mas então é isso. Nada se mantém em aeroportos, hotéis, sarjetas em que às vezes me sento, sentava, cansada de tanto andar por cidades que não conheço, as melhores. Então, minha catalogação , a que faço nesse dia, sentada no aeroporto esperando a volta para um São Paulo que seria, a partir da minha volta, outro São Paulo, e para um você que seria um outro você, minha catalogação também não se mantém, misturada que foi com as coisas que aconteciam ali na minha frente, sem que eu preste muita atenção, sem que fizessem sentido algum, tão calmantes, sedutoras, no seu jeito de só passar, ali, na minha frente, um filme em que chegamos atrasados e não entendemos, e que gostamos assim mesmo ou por causa disso mesmo.[/pb_blockquote]

57. Svetlana Aleksiévitch (1948 – )

Svetlana Aleksandrovna Aleksiévitch (meu novo objetivo de vida é escrever o nome dela sem ter de conferir se está certo) é uma escritora e jornalista bielorrussa que recebeu o Nobel de Literatura de 2015 “pela sua escrita polifônica, monumento ao sofrimento e à coragem na nossa época”*.

Svetlana é filha de professores, nasceu na Ucrânia (ah, as ucranianas! ♥), mas cresceu na Bielorrússia. Estudou jornalismo na Universidade de Minsk e, depois de formada, trabalhou como jornalista e professora.

Escrevia poemas e artigos desde criança para o jornal da escola, e, já adulta, inclinou-se para um gênero literário que se localiza no meio do caminho entre literatura e jornalismo, unindo testemunhos individuais a uma organização mais literária. A obra A guerra não tem rosto de mulher, publicada em 1983, foi a primeira vez que se aventurou por esse gênero, criando o livro a partir de entrevistas com mulheres russas que participaram na Segunda Guerra Mundial.

Além de A guerra não tem rosto de mulher, duas de suas obras mais conhecidas são O fim do homem soviético (2015) e Vozes de Tchernóbil (2016).

[pb_blockquote component_description=”citação sa” author=”Svetlana Aleksiévitch, A Guerra não tem rosto de mulher”]Já aconteceram milhares de guerras – pequenas e grandes, famosas e desconhecidas. E o que se escreveu sobre elas é ainda mais numeroso. Mas… foi escrito por homens e sobre homens, isso ficou claro na hora. Tudo o que sabemos da guerra conhecemos por uma “voz masculina”. Somos todos prisioneiros de representações e sensações “masculinas” da guerra. Das palavras “masculinas”. Já as mulheres estão caladas (…)[/pb_blockquote]

58. Ana Cristina Cesar (1952 – 1983)

Ana Cristina Cruz Cesar foi uma poeta e tradutora brasileira, mais conhecida como Ana Cristina Cesar ou Ana C. Era filha do sociólogo e jornalista Waldo Aranha Lenz Cesar (que fundou a Editora Paz e Terra) e nascida em uma família culta e protestante de classe média.

Ditava poemas para a mãe antes de ser alfabetizada, mas foi depois de um intercâmbio na Inglaterra, em 1969, que a literatura passou a fazer parte de sua vida de forma mais intensa. Lá, entrou em contato com livros de Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield, o que a incentivou na direção da escrita e tradução. Com esse objetivo, entrou para a Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), aos dezenove anos.

Ana começou a publicar poemas e textos de prosa poética em coletâneas, revistas e jornais alternativos durante a década de 1970. Seu primeiro livro, Cenas de Abril, foi publicado de forma independente em 1979. Heloísa Buarque de Hollanda, sua amiga, a ajudava com a estética de suas obra, e passavam bastante tempo criando as capas de seus livros. Heloísa conta que a escolha por “Abril” no título de “Cenas de Abril” foi puramente estética, devida apenas pelo fato de que gostavam da forma como a palavra ficava na capa do livro.

Correspondência Completa, publicada no mesmo ano, também foi lançado de forma independente. Seu livro seguinte, Luva de Pelica, foi publicado no ano seguinte, 1980, tendo sido escrito na Inglaterra, durante outra temporada que Ana Cristina passou lá para um mestrado em tradução literária na Universidade de Essex. Fez ainda um mestrado em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Aos trinta e um anos, Ana C suicidou, atirando-se da janela do apartamento dos pais. Armando Freitas Filho, poeta e melhor amigo de Ana Cristina Cesar, ficou incumbido de cuidar postumamente das suas publicações. A família censurou várias das cartas de Ana C., especialmente as recebidas de Caio Fernando Abreu, mas fez a doação do acervo pessoal da autora com a condição de que ficasse no Rio de Janeiro. Assim, seu acervo está sob tutela do Instituto Moreira Salles.

Ana C. é frequentemente vinculada ao movimento da Poesia Marginal, sendo considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo da década de 1970. Sua obra ficcional se mantém em frágil equilíbrio entre o ficcional e o autobiográfico, e é formada principalmente por coletâneas de poesia, ainda que haja também obras de crítica e correspondência.

[pb_blockquote component_description=”citação acc” author=”Ana Cristina César, Contagem Regressiva”]Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos.[/pb_blockquote]

59. Heloisa Seixas (1952 – )

Heloisa Seixas é uma escritora e tradutora brasileira e, assim como boa parte das escritoras mais recentes, formada em jornalismo. Trabalhou como jornalista no Jornal O Globo, na agência de notícias UPI e na assessoria de imprensa da ONU. Começou sua carreira literária em 1995, aos 43 anos, com a coletânea de contos Pente de Vênus: histórias do amor assombrado.

No ano seguinte, lançou seu primeiro romance, A porta. Publica com bastante regularidade desde então, e sua produção envolve romances, contos, novelas, peças e musicais, além de algumas obras infantis e textos de não ficção. Suas obras mais conhecidas são a semi-autobiografia O lugar escuro: uma história de senilidade e loucura (2007), em que fala sobre sua convivência com o mal de Alzheimer, desenvolvido por sua mãe, e a biografia ficcionalizada O oitavo selo (2014), em que transforma o marido, o também escritor Ruy Castro, em personagem e explora os vários confrontos deste com a morte.

[pb_blockquote component_description=”citação hs” author=”Heloísa Seixas, O prazer de ler”]O prazer de ler é, como alguém já disse, um fenômeno parecido com ser inoculado por um vírus. A partir do momento em que isso acontece, não há mais volta. Nunca mais, pelo resto de nossas vidas, conseguiremos ficar sem um livro por perto.[/pb_blockquote]

60. Herta Müller (1953 – )

Herta Müller é uma novelista, escritora, poeta e ensaísta alemã, nascida na Romênia. Recebeu o Nobel de Literatura em 2009 por, “com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados”*.

Herta é filha de fazendeiros católicos, e sua família era parte de uma minoria germânica na Romênia. Seu avô fora um fazendeiro rico, mas suas propriedades foram confiscadas pelo regime comunista. O pai de Herta fora membro da Waffen-SS, exército de defesa de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e trabalhou como motorista de caminhão durante o período comunista da Romênia. Sua mãe, aos 17 anos, foi deportada da Romênia com outros 100.000 alemães para campos de trabalhos forçados na União Soviética, onde ficou durante 5 anos.

Herta começou a trabalhar como tradutora em uma fábrica de engenharia, mas foi demitida 3 anos depois por se recusar a colaborar com a polícia secreta do regime comunista do país. Após sua saída, começou a dar aulas em creches e, posteriormente, começou a dar aulas particulares de alemão.

Seu primeiro livro, Niederungen (Nadirs), foi publicado na Romênia em 1982, em alemão e numa versão com censuras do governo. Herta era parte de um grupo de escritores que eram contra a censura e apoiavam a liberdade de expressão, de modo que seus trabalhos giravam bastante em torno dessa temática.

Sua obra mais conhecida no Brasil é Tudo o que tenho trago comigo, de 2009. Nele, a autora fala justamente a respeito da perseguição de Stálin às minorias alemãs na Romênia após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Tais minorias, das quais sua família fez parte, enviadas a campos de trabalhos forçados (o que aconteceu com sua mãe) sob a acusação de haver colaborado com Hitler. A ideia era que pagassem pelos crimes de guerra e auxiliassem na reconstrução da União Soviética.

[pb_blockquote component_description=”citação hm” author=”Herta Müller, Tudo o que tenho levo comigo”]Depois dos cinco anos no campo de trabalho eu vagava dia após dia pelo tumulto das ruas, ensaiando mentalmente as melhores frases para o caso de ser preso: PRESO EM FLAGRANTE – pensei em mais de mil desculpas e álibis para essa acusação. Levo comigo uma bagagem silenciosa. Fechei-me tão profundamente e por tanto tempo no silêncio que nunca consigo abrir-me através das palavras. Apenas me fecho de outras formas quando falo.[/pb_blockquote]

Terminamos aqui a 6ª postagem da série. Ainda temos mais duas, terminando no dia 08 de março.

Acompanhem! =)

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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