80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 07/08


Olá, pessoal! Estamos às vésperas de terminar nossa série! O que estão achando? Há muitas escritoras que vocês não conheciam?

Um detalhe que acho importante dizer sobre a postagem de hoje e a de amanhã é que, à medida que as autoras listadas se tornam mais contemporâneas, é mais difícil encontrar informações biográficas sobre elas, seja porque querem se preservar, seja porque ainda estão lá, vivendo suas vidas, fazendo suas histórias, e não existe o distanciamento suficiente para criar biografias gigantescas com todos os mínimos detalhes da vida da escritora. Então as informações vão estar menorzinhas, tá?

Para quem está começando nessa postagem ou quer rever as postagens anteriores, segue a lista:

Lembrando que: escritoras de literatura “de massa” ficaram de fora, por já serem bem mais conhecidas do que as outras. De todo modo, se sentiram ou sentirem falta de alguma autora, me falem, ok? Adoro conhecer autoras novas! 😀

E para quem não entendeu a organização: as autoras foram listadas a partir do ano de nascimento, em primeiro lugar. Quando havia autoras nascidas no mesmo ano, segui dois critérios: se uma autora já era falecida e outra não, a falecida vinha primeiro. Se as duas autoras eras falecidas ou as duas eram vivas, usei a ordem alfabética.

Aproveitem a lista! Fiz com todo carinho! <3

61. Paulina Chiziane (1955 – )

Paulina Chiziane é uma escritora moçambicana que cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo. De família protestante, aprendeu as línguas Chope e Ronga e, posteriormente, a língua Portuguesa, na escola de uma missão católica.

Foi militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) durante a juventude, participando ativamente da cena política de Moçambique. Porém, abandonou a militância para se dedicar à escrita, o que também foi impulsionado pela desilusão com o partido Frelimo pós-independência, especialmente em relação às posições do partido quanto a mono e poligamia e a liberdade econômica da mulher.

Iniciou-se na literatura em 1984, aos 29 anos, com contos publicados na imprensa moçambicana. Em 1990, publicou seu primeiro livro, Balada de Amor ao Vento, tornando-se a primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Segue publicando com regularidade desde então, sendo que sua obra mais recente é Ngoma Yethu: O curandeiro e o Novo Testamento, publicado em 2015.

[pb_blockquote component_description=”citação pc” author=”Paulina Chiziane, O sétimo juramento”]A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho. A água vai para o céu mas volta a cair na terra. Vai para o subterrâneo mas volta á superfície. A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada…[/pb_blockquote]

62. Cintia Moscovich (1958 – )

Cintia Moscovich é uma escritora e jornalista brasileira, além de ministrante de oficinas literárias.

Sua primeira obra foi publicada em 1996, a coletânea de contos Reino das Cebolas, reeditada em 2002. Em 1998, lançou a novela Duas iguais, reeditada em 2004. Sua terceira obra foi publicada em 2000, Anotações durante o incêndio, com contos envolvendo temáticas como o judaísmo e a condição feminina, temas esses bastante explorados em seus trabalhos, assim como relações familiares, obesidade e humor.

Cintia participou ainda de diversas coletâneas, tem trabalhos adultos e infanto-juvenis, é ex-diretora do Instituto Estadual do Livro, órgão da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, e colaborou para diversos jornais e revistas de todo o Brasil. Sua obra mais recente é a coletânea de contos Essa coisa brilhante que é a chuva?, publicada em 2012.

[pb_blockquote component_description=”citação cm” author=”Cintia Moscovich”]Há uma certa delicadeza de alma que só a leitura propicia. Sem livros, a vida é selvagem, bruta, dura. Não há transcendência possível. Não há a humanidade necessária.[/pb_blockquote]

63. Inês Pedrosa (1962 – )

Inês Margarida Pereira Pedrosa (Coimbra, Sé Nova, 15 de agosto de 1962) é uma escritora e tradutora portuguesa.

Inês publicou seu primeiro texto aos 12 anos, na revista Crónica Feminina. Aos 22, formou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e trabalhou em diversos jornais e revistas, como O Jornal (atual revista Visão), Jornal de Letras, Artes e Ideias, o semanário O Independente, LER e o semanário Expresso, em cuja revista Única teve uma coluna semanal.

Seu primeiro livro foi publicado em 1991, a obra infantil Mais Ninguém Tem. No ano seguinte, publicou seu primeiro romance, A Instrução dos Amantes. Seu terceiro livro, Nas Tuas Mãos, publicado cinco anos depois, em 1997, é um de seus mais conhecidos, e conta a história de três gerações de mulheres da mesma família.

Inês consolida sua carreira como escritora a partir da publicação de Fazes-me Falta, em 2003, após o qual publicou com bastante regularidade diversos outras obras, entre romances, coletâneas de contos e literatura infantil. Sua obra mais recente é a coletânea de contos Desnorte, publicada em 2016, com ilustrações de Gilson Lopes.
[pb_blockquote component_description=”citação ip” author=”Inês Pedrosa, Nas Tuas Mãos”]Tudo o que há para saber do amor é deslumbrada aceitação. Não se aprende a amar, Camila; não há vontade democrática capaz de espalhar a paixão pelas bolsas de pobreza onde ela não chega, nem fábricas capazes de a produzir em peças, para montagem, construção ou exportação. Não há nada de justo nesse sentimento: a justiça, aliás, não passa de um espetáculo de ordenação do mundo, um circo que inventámos para substituir a irracional lei do coração.[/pb_blockquote]

64. Luci Collin (1964 – )

Luci Collin é uma escritora, poeta, tradutora e professora brasileira, uma das minhas escritoras favoritas da atualidade.

Antes de rumar na direção das Letras, Luci se graduou, em 1985, em Piano/Performance na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Quatro anos depois, terminou o Curto de Letras português/inglês na Universidade Federal do Paraná e, no ano seguinte, terminou o Curso Superior de Percussão clássica na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Essa formação mista, passeando entre literatura e música, provavelmente é o que dá o tom de seus textos, os quais carregam uma musicalidade e experimentação muito evidente.

Luci ainda fez Mestrado em Letras/Literaturas de Língua Inglesa na UFPR (1993), Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na Universidade de São Paulo (2003) e Pós-doutorado em Literatura Irlandesa na USP (2010). Trabalha desde 1999 como professora no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR e frequentemente oferece oficinas de escrita em Curitiba (meu sonho ♥).

Sua primeira obra foi Estarrecer, coletânea de poesias publicada em 1984. Foi recebida de forma muito positiva por grandes nomes como Dias Gomes, Henfil e Paulo Leminski. Publicou novos livros de poesia em 1991 (Espelhar Esvazio), 1992 (Ondas Azuis) e 1996 (Poesia Reunida) antes que começasse a se aventurar na prosa em 1997, com a coletânea de contos Lição Invisível. Publicou outro livro de poesia no mesmo ano, Todo Implícito, mas seus quatro livros seguintes foram coletâneas de contos (Precioso Impreciso – 2001, Inescritos – 2004, Vozes num Divertimento – 2008 e Acasos Pensados – 2008). Seu primeiro romance, Com Que se Pode Jogar,  só foi publicado em 2011.

Entre as obras seguintes, os gêneros se misturam. Há poesia (Trato de Silêncios – 2012 e Querer Falar – 2014), romance (Nossa Senhora D’Aqui – 2015) e contos (A Árvore Todas – 2015 e A Palavra Algo, seu livro mais recente, publicado em 2016).

O conto a seguir é de seu livro “Acasos Pensados” e eu tive que colocar na íntegra. Primeiro por ser curtinho e segundo porque vocês TEM que ler esse conto!

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Luci Collin, Secular (conto do livro Acasos Pensados)”]O corpo era velho e nada que se pudesse fazer sobre isso. Mas o homem vinha. Às vezes cansados, rostos duros, olhar restos e sem-cerimônia. Não havia notícia de sorrisos genuínos. O ambiente abandonados perfumes cheiros daqueles que se esquece fácil. A parede pode ser pra sempre fria. Desconhecida ameaça, deixara o tempo sagrar sulcos e irrelevâncias, rezar nas conversações sem sentido. O corpo dela era velho e sequer pressentimentos. Olhava a pele sem adjetivos próprios não pensava em nada. O homem vinha. Às vezes diligentes, o esforço para tramar maravilhas. Havia notícia de espasmos. Para ela os ecos. Focalizava detalhes do quadro na parede um dia rosa. Nunca lhe pediram troco. Acariciava a pele descrente. O que sabe sobre si: vende fatias. E nada que pudesse pensar sobre isto, mover pedras, rolar pedras, esquecidos constrangimentos postos no fundo de um rio. Vende às vezes traças quase invisíveis aderem criteriosamente aos corpos que ali se deitam. Leito. O corpo dela era único e frestas sem filosofia. Ciência de desconsiderar o tangente e o irregressível. Olhos alheios e nada a falar sobre isso. Nenhum registro de paixões impagáveis no passado, nenhum bilhete desdizendo amores. Apenas assistia à flexão dos verbos. Corpo ser todo dia. Era pública. Manejando a faca silenciosa o enredo leiloava retalhos fantasiados de delícia. Sábia pantomima. O homem vinha. Desfiavam asperezas, frases mal-ajambradas. Mas não se sabe de vezes em que se tenha pensado em esquivas. Acariciava peles fossem cavalos bicho qualquer eram sempre um. O corpo envelhecera e ela pensou no preço. Talvez existissem mesmo pressa e o tempo inextenso. A alvorada é sempre na mesma janela. Agora pensou no vinho que envelhece. É sempre solitário o que existe dentro dela. É sempre desacompanhada a certeza de que às vezes vira o que quer que fosse próximo e belo. Ensaio sobre tocar o sem cabimento. Desapego e tudo-nada. Mas o homem vinha. Esqueciam flores, frases sem sujeito ela pensou talvez em pedras. Não há notícia de pretéritos que ela se inaugurava toda vez que a porta abria. Vende o mesmo olhar insuspeito velho e escura escuridão fundo do rio. Vê as flores na colcha, vê as flores no azulejo, vê as flores sobre seu corpo. Pensa: um desses dias qualquer. Mas não hoje.
O homem vinha.[/pb_blockquote]

65. Marta Barcellos (1966 – )

Marta Barcellos é carioca, formada em Jornalismo pela UFRJ e Mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversos jornais importantes do país, como O Globo, Gazeta Mercantil e Valor Econômico e é colunista da revista Capital Aberto e do site Digestivo Cultural.

Estreou na literatura em 2015, com a obra Antes que Seque, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura na categoria contos. Seu estilo é carregado de um olhar feminino que desliza entre o irônico e o cômico, ao mesmo tempo em que é suave e delicado. Entre os temas explorados estão depressão, maternidade, traição e amizade. Maternidade, aliás – ou, na verdade, sua impossibilidade – é o que conecta os vários contos do livro. As protagonistas enfrentam dificuldades para engravidar e corresponder à figura socialmente idealizada de mãe, o que faz com que a obra seja questionadora dos papéis pré-estabelecidos da mulher.

[pb_blockquote component_description=”citação mb” author=”Marta Barcellos, Antes que seque”]Cinco meses, apenas cinco, foram o tempo necessário: as duas ou três horas livres da tarde gastas não no shopping, mas da forma recomendada pela cartomante, apenas em hotéis discretos e distantes de casa, como uma bela da tarde. Apenas até o positivo, porque era uma esposa fiel[/pb_blockquote]

66. Jhumpa Lahiri (1967 – )

Nilanjana Sudeshna Lahiri é uma escritora estadunidense de origem indiana, mas nasceu em Londres. Parece estranho, mas é o mesmo caso de Clarice Lispector. Como imigrou ainda muito pequena, não se considera pertencente ao país em que nasceu, mas sim para aquele para onde foi.

Seu pai trabalha como bibliotecário na University of Rhode Island. Sua mãe queria que seus filhos crescessem sabendo de sua ascendência indiana (Bengali), então a família frequentemente viajava para visitar os parentes em Calcutá.

“Jhumpa” foi um apelido dado pela sua professora do jardim de infância, que não conseguia pronunciar seu nome. A dificuldade que as pessoas tinham com seu nome lhe trouxe diversos conflitos durante a vida e uma ambivalência em relação à sua identidade, que seria explorada posteriormente em seu romance O xará (que, aliás, recebeu uma edição maravilhosa da TAG agora em fevereiro).

Em 1989, Jhumpa graduou-se em Literatura Inglesa. Posteriormente, conseguiu diversos títulos, como mestrado em Inglês, mestrado em Escrita Criativa, mestrado em Literatura Comparada e Doutorado em Estudos Renascentistas.

Sua primeira coletânea de contos, Intérprete de Males (Interpreter of Maladies) foi rejeitada por muito tempo até que fosse finalmente aceita para publicação, em 1999. Depois disso, vendeu 600.000 exemplares e recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção de 2000.

Seu segundo livro e primeiro romance, O Xará (The Namesake), publicado em 2003, também foi muito bem recebido, tendo sido adaptado para o cinema em 2007. A curiosidade é que a própria escritora faz uma pequena participação no filme, como “Tia Jhumpa.”

Sua segunda coletânea de contos Unaccustomed Earth (Numa Terra Estranha) foi lançada em 2008 e alcançou a primeira posição na lista de mais vendidos no jornal The New York Times. Seu segundo romance, The Lowland, foi publicado em 2013, tendo sido também muito bem recebido.

[pb_blockquote component_description=”citação jl” author=”Jhumpa Lahiri, Aguapés”]Seus pais não precisavam se preocupar com ele, mas nem por isso era o preferido. Tomou como missão obedecê-los, já que surpreendê-los ou impressioná-los não era possível.[/pb_blockquote]

67. Monica Ali (1967 – )

Monica Ali é uma escritora inglesa nascida em Bangladesh. Seu pai era bengalês e sua mãe inglesa, e a família se mudou para a Inglaterra quando Monica tinha três anos. A escritora formou-se em Filosofia, Política e Economia no Wadham College de Oxford.

Seu primeiro livro, Brick Lane, fez com que Monica fosse selecionada pela revista Granta como uma das “melhores jovens romancistas britânicas”, e isso antes mesmo de ser publicado. Brick Lane só foi publicado no fim no ano em que houve essa seleção, 2003, e foi adaptado para o cinema em 2007.

O nome da obra é o mesmo de uma rua no centro da região onde vive a comunidade bengalesa de Londres, e a narrativa gira em torno da vida de Nazneen, uma mulher bengalesa que se muda para Londres aos 18 anos para casar com um homem mais velho, sem saber inglês.

Algumas pessoas da comunidade bengalesa londrina, porém, acharam que ela retratou os imigrantes da região de Sylhet de forma negativa, já que essa é a origem da maioria dos bengaleses que vive em Brick Lane. Monica também foi criticada por falar sobre a comunidade bengalesa, mas sequer conhecer a língua de seu pai e de seu país de origem. Críticas à parte, seus quatro romances tiveram ótima recepção. São eles: Brick Lane – traduzido em Portugal como Sete Mares e Treze RiosAlentejo Blue (Azul Alentejo), In the Kitchen e Untold Story.

[pb_blockquote component_description=”citação ma” author=”Monica Ali, Azul Alentejo”]O velho com um olho só passou empurrando uma bicicleta preta. Ele estava sem a venda no olho e Jay olhou bem para ele. Era legal aquele buraco vazio no lugar do olho.
A bicicleta parecia pesada, como se fosse feita de chumbo. O velho parava a cada dez passos. Pedro e Fernando já tinham ido embora havia muito tempo. Jay não se importou. Aquele Pedro era um filho-da-puta mesmo.
Jay saiu da aldeia pedalando. Pensou em saltar na obra onde diziam que duas casas estavam sendo construídas, embora elas não parecessem estar progredindo. Um operário de camisa de lenhador apareceu (…) de um depósito de tijolos e enxugou a testa. Jay baixou a cabeça e pedalou com tanta força que suas pernas ficaram moles. [/pb_blockquote]

68. Marjane Satrapi (1969 – )

Marjane Satrapi e uma cartunista, ilustradora, romancista gráfica, diretora e escritora de literatura infantil. Nasceu no Irã, mas foi mandada para a França pelos pais no começo da adolescência para que fugisse do fundamentalismo muçulmano. Voltou para o Irã como jovem adulta, tendo se graduado lá em comunicação visual, além de ter feito mestrado na Universidade Islâmica Azad.
Depois disso, voltou para a França, onde vive atualmente.
Marjane se tornou mundialmente famosa a partir de suas autobiografias, compostas no formato de romance gráfico. Persépolis, a primeira autobiografia, foi publicada originalmente em quatro partes entre 2000 e 2003, tendo sido traduzida para o inglês em duas partes em 2003 e 2004 (Persepolis e Persepolis 2) e adaptada para o cinema em 2007 como animação, com co-direção da própria Marjane. Sua autobiografia seguinte, Bordados (Embroideries /Broderies), foi, assim como Persepolis, muito bem recebida por público e crítica.

Além dessas obras, Marjane publicou mais seis romances gráficos, três deles com tradução para o inglês. Até hoje, apenas Persépolis, Bordados e Frango com Ameixas tem tradução para o português.

[pb_blockquote component_description=”citação ms” author=”Marjane Satrapi”]O mundo não é dividido entre Oriente e Ocidente. Você é estadunidense, eu sou iraniana, e, embora não nos conheçamos, nós podemos conversar e nos entender perfeitamente. A diferença entre você e seu governo é muito maior que a diferença entre você e eu, assim como a diferença entre eu e meu governo é muito maior que a diferença entre entre eu e você. Já os nossos governos, por outro lado, são basicamente o mesmo.[/pb_blockquote]

69. Adriana Lisboa (1970 – )

Adriana Lisboa (Rio de Janeiro, 1970) é uma escritora brasileira, cariosa. Graduou-se em música pela Uni-Rio, tendo sido cantora de MPB na França aos dezoito anos. Mais tarde, trabalhou como professora de música no Rio e como tradutora. Fez mestrado em literatura brasileira e doutorado em literatura comparada na UERJ.

Publicou seu primeiro livro, Os fios da memória, em 1999. Desde então, tem publicado bastante regularmente, entre romances, contos, poemas e literatura infanto-juvenil, além de diversas traduções. Entre suas obras mais conhecidas estão os romances Sinfonia em branco (2001), Rakushisha (2007) e Azul-corvo (2010). Sua obra mais recente é a coletânea de contos O sucesso, publicada em 2016.

Sua novela juvenil O coração às vezes para de bater, de 2007, foi adaptada para o cinema por Maria Camargo, como curta-metragem.

Adriana leciona em cursos de Escrita Criativa no Brasil e, desde 2007, vive a maior parte do tempo nos Estados Unidos.

[pb_blockquote component_description=”citação al” author=”Adriana Lisboa, Quintais”]Na casa do meu avô, havia quatro quintais.

No principal, o portão se abria para a rua, e ali ficava a casa propriamente dita, e por cima do muro baixo a gente via as cabeças das pessoas que passavam pela rua, sempre tão devagar. Às vezes vinha dar na varanda o cheiro do rio, um cheiro de pano e de barro. Na garagem descoberta, sobre os cascalhos, dormia a Variant marrom do meu avô.
À esquerda, separado por um muro com uma passagem, ficava o universo dos abacateiros e o quartinho que o meu avô chamava de Petit Trianon. Nós apanhávamos abacates para fazer boizinhos com palitos de fósforo. O Petit Trianon eu não me lembro para que servia, ficava quase sempre fechado. Mas eu tinha pesadelos com ele.
À esquerda, separado por outro muro com outra passagem, ficava um universo híbrido em que cabiam orquídeas numa estufa, galinhas, goiabeiras e um pé de romã quase esquecido, lá no fundo, longe de tudo. Era o quintal mais colorido. Uma vez minha irmã caiu de uma goiabeira, a barriga enterrou numa torneira e ela foi parar no hospital.
À direita do quintal principal, ficava o último, e quase proibido. Havia o muro, mas na passagem tinha um portãozinho baixo de madeira, que às vezes a gente pulava por prazer. Lá só havia mato. Árvores altas, sombras, coisas indizíveis se arrastando junto às raízes, barulhos de insetos que nunca existiram de se ver. Lá fazia calor e férias, invariavelmente, mas também podia cair chuva, e a chuva ficava guardada para os nossos pés no tapete de folhas velhas, de frutos podres, de vermes lentos e moles.
Os quatro quintais da casa do meu avô arrumaram-se numa bússola, e quando eu pisei pela primeira vez numa caravela fervilhando de adultos, vinha com ela no bolso. Se não como guia, ao menos como amuleto.[/pb_blockquote]

70. Angélica Freitas (1973 – )

Angélica Freitas é uma poeta e tradutora brasileira. É formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo trabalhado no O Estado de S. Paulo e na revista Informática Hoje, em São Paulo. Em 2006, deixou São Paulo, tendo viajado para diversos países como Holanda, Bolívia e Argentina. Atualmente, a poeta vive e trabalha em Pelotas, sua cidade natal.

É coeditora da revista de poesia Modo de Usar & Co., tendo traduzido poetisas hispano-americanas como Blanca Varela, Susana Thénon e Lucía Bianco.

A primeira vez que publicou seus poemas foi em uma antologia de poesia brasileira contemporânea publicada na Argentina, Cuatro poetas recientes del Brasil, de organização de Cristian De Nápoli. Já a primeira coletânea própria de poemas foi Rilke Shake, publicada em 2007. Seu segundo livro de poesias, um útero é do tamanho de um punho, publicado em 2013, foi muito bem recebido pela crítica. Ambas obras foram publicadas pela já saudosa Cosac Naify.
Tem poemas publicados em revistas impressas e eletrônicas, como Inimigo Rumor, Diário de Poesía (Argentina), águas furtadas (Portugal), Hilda (Alemanha) e Aufgabe (Estados Unidos).
[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Angélica Freitas, love-lorn, soft-porn”]tenho sempre
para a Musa
um poema
na traqueia
uma prosa
sob a blusa[/pb_blockquote]

Estão gostando das escritoras da lista? Espero que sim! Amanhã, a última postagem da série, com as escritoras mais novas da lista. Você, que quando pensava em escritora só lembrava de uma ou duas, já vai ter uma lista enoooooorme de novidades para explorar. Quer coisa melhor do que isso? =)

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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2 Comentários

  • Santos
    8 de março de 2017 at 16:58

    Adiciona a Margaret Mazzantini, Clara Pinto Correia, Amélie Nothomb, Elena Poniatowska e Anne Tyler.

    • Thays Pretti
      13 de março de 2017 at 10:08

      Obrigada pelas sugestões! 🙂

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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