80 escritoras para conhecer até o Dia Internacional da Mulher – Parte 08/08


Essa é a última postagem da série para o Dia Internacional da Mulher, de modo que completamos hoje a lista de sugestão de 80 escritoras que todo mundo devia conhecer, ler, levar para a estante etc. \o/

E, se estamos terminando hoje, é porque enfim chegou o Dia Internacional da Mulher. Não cabe aqui falar especificamente sobre esse dia, já que essa série é para divulgar mulheres maravilhosas que tiveram ou tem um efeito bombástico na literatura (é minha contribuição pela causa), mas vou deixar aqui, listadinhas, três leituras legais sobre o dia de hoje:

  1. 8 de março: dia internacional de luta das mulheres
  2. 8 de março: para além das comemorações, a luta e o empoderamento das mulheres
  3. Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional das Mulheres

E já que estamos no fim da série, dá para fazer uma listinha com as postagens anteriores, para quem quiser rever ou para quem chegou hoje por aqui e nem sabe que que tá acontecendo. Segue:

  1. Mary Shelley, Irmãs Brontë, Mary Ann Evans (a.k.a. George Eliot), Maria Firmina dos Reis, Emily Dickinson, Kate Chopin, Selma Lagerlöf, Gertrude Stein, Virgínia Woolf, Marianne Moore
  2. Katherine Mansfield, Gabriela Mistral, Cora Coralina, Agatha Christie, Nelly Sachs, Gilka Machado, Florbela Espanca, Cecília Meireles, Simone de Beauvoir, Pagu (Patrícia Galvão)
  3. Rachel de Queiroz, Elizabeth Bishop, Helena Kolody, Carolina Maria de Jesus, Marguerite Duras, Zélia Gattai, Doris Lessing, Clarice Lispector, Nadine Gordimer, Lygia Fagundes Telles
  4. Harper Lee, Maya Angelou, Anne Frank, Christa Wolf, Hilda Hilst, Alice Munro, Ruth Rocha, Toni Morrison, Sylvia Plath, Lygia Bojunga
  5. Susan Sontag, Audre Lorde, Adélia Prado, Marina Colasanti, Nélida Piñon, Angela Carter, Teolinda Gersão, Ana Maria Machado, Stela do Patrocínio, Alice Walker
  6. Angela Lago, Alice Ruiz, Conceição Evaristo, Elfriede Jelinek, Lídia Jorge, Elvira Vigna, Svetlana Aleksiévitch, Ana Cristina César, Heloísa Seixas, Herta Müller
  7. Paulina Chiziane, Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa, Luci Collin, Marta Barcellos, Jhumpa Lahiri, Monica Ali, Marjane Satrapi, Adriana Lisboa, Angélica Freitas

Agora sim, depois dessa introdução e recapitulação, a gente pode partir para as últimas escritoras da série. Vamos lá?

71. Cristiane Sobral (1974 – )

Cristiane Sobral é uma atriz, escritora e poeta carioca. Em 1989, estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro e foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília. Fez, ainda, pós-graduação em Educação, com ênfase no ensino de Artes, especialização em Docência Superior e Mestrado em Artes na UnB, pesquisando sobre a dramaturgia no teatro negro.

Suas primeiras obras foram Uma boneca no lixo (1998), Dra. Sida (2000) e Petardo, será que você aguenta? (2004), todas peças teatrais. Em relação a suas poesias, Cristiane estreou, assim como Conceição Evaristo, publicando textos nos Cadernos Negros, do coletivo Quilombhoje, no ano de 2000.

Seu primeiro livro, a coletânea de poesias Não Vou Mais Lavar os Pratos, foi publicada em 2010, seguida da coletânea de contos Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção, publicada em 2011 e sua segunda coletânea de poesia, Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, publicada em 2014.

[pb_blockquote component_description=”citação mari” author=”Cristiane Sobral, Não vou mais lavar os pratos (trecho)”][…]Nem vou limpar a poeira dos móveis
Sinto muito. Comecei a ler
Abri outro dia um livro e uma semana depois decidi
Não levo mais o lixo para a lixeira
Nem arrumo a bagunça das folhas que caem no quintal
Sinto muito. Depois de ler percebi a estética dos pratos
a estética dos traços, a ética
A estática
Olho minhas mãos quando mudam a página dos livros
mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante
Sinto
Qualquer coisa
Não vou mais lavar
Nem levar.
Seus tapetes para lavar a seco
Tenho os olhos rasos d’água
Sinto muito
Agora que comecei a ler, quero entender
O porquê, por quê? E o porquê
Existem coisas.[…]
[/pb_blockquote]

72. Zadie Smith (1975 – )

Zadie Smith é uma escritora inglesa, filha de mãe jamaicana e pai inglês. Seu nome de batismo é Sadie Smith, mas ela decidiu trocá-lo por Zadie aos 14 anos, após o divórcio dos pais.

Quando criança, Zadie era fã de sapateado. Na adolescência, considerou a carreira de atriz de musical e, já na universidade, ganhava dinheiro como cantora de jazz e queria ser jornalista. Estudou em escolas públicas da Inglaterra, indo posteriormente para o King’s College, em Cambridge, onde estudou Literatura Inglesa.

Na universidade, publicou diversos contos em uma coletânea feita por alunos. Seus contos chamaram a atenção de um editor, que ofereceu a ela um contrato para a publicação de seu primeiro romance. Zadie decidiu, então, entrar em contato com um agente literário, e foi assumida por A. P. Watt.

Seu romance Dentes Brancos (White Teeth) foi apresentado para o mundo editorial em 1997, antes de estar terminado. Foi feita uma espécie de leilão dos direitos de publicação da obra a partir de uma versão parcial da obra, e Hamish Hamilton venceu. Publicado em 2000, o romance se tornou imediatamente um best seller. O romance foi adaptado para a televisão dois anos depois.

O gigantesco sucesso de seu primeiro livro fez com que Zadie passasse por um bloqueio criativo durante um tempo. Ainda assim, seu segundo romance, O Caçador de Autógrafos (The Autograph Man), foi publicado em 2002, sendo sucesso comercial, ainda que não com o mesmo impacto de Dentes Brancos.

Seu terceiro romance, Sobre a beleza (On Beauty), publicado em 2005, foi também muito bem recebido, recebendo vários prêmios. No mesmo ano, Zadie publicou Martha e Hanwell, um livro com dois contos sobre dois personagens problemáticos. Seus dois romances seguintes, NWSwing Time, demoraram um pouco mais para surgir, sendo publicados em 2012 e 2016, respectivamente.

Entre suas temáticas, podem ser encontradas a questão de raça e identidade pós-colonial. Além dos romances, Zadie publicou diversos contos em jornais e revistas.

[pb_blockquote component_description=”citação zs” author=”Zadie Smith, NW”]O sol gordo demora-se nas torres de celular. Tinta antiescalada revela-se sulfurosa em portões de escola e postes de luz. Em Willesden as pessoas andam descalças, as ruas tornam-se europeias, há uma mania de comer fora. Ela mantém-se na sombra. Ruiva. No rádio: eu sou a única autora do dicionário que me define. Uma boa frase – escreva-a no verso de uma revista. Numa rede, no jardim de um apartamento-porão. Cercado, por todos os lados.[/pb_blockquote]

73. Chimamanda Ngozi Adichie (1977- )

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana, considerada uma das mais relevantes escritoras de língua inglesa da atualidade, que tem chamado muita atenção dos leitores para a literatura africana.

Chimamanda cresceu na cidade universitária de Nsukka, no estado de Enugu, sudeste da Nigéria. Seu pai era professor de estatística na universidade e sua mãe foi a primeira mulher a exercer a função de oficial de registro na universidade. Chimamanda estudou Medicina e Farmácia por um ano e meio na Universidade da Nigéria. Aos 19 anos, foi para os Estados Unidos para estudar Comunicação e Ciência Política na Drexel University, na Filadélfia. Transferiu-se para a Eastern Connecticut State University para ficar perto da irmã, que fazia residência médica em Coventry. Chimamanda graduou-se em 2001.

Em 2003, fez mestrado em Escrita Criativa na Johns Hopkins University. Em 2008, completou um mestrado em Estudos Africanos pela Yale University. Em 2016, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Johns Hopkins University.

Seu primeiro livro foi uma coletânea de poemas, Decisions, publicada em 1997. No ano seguinte, publicou sua primeira peça, For Love of Biafra. À parte essas obras, Chimamanda publicava contos em jornais e revistas, tendo sido premiada em 2002 e 2003 por contos seus. Seu primeiro romance, Hibisco Roxo (Purple Hibiscus) foi publicado em 2003 e foi muito bem recebido por público e crítica. Seu segundo romance, Meio Sol Amarelo (Half of a Yellow Sun) saiu em 2006, recebeu prêmios e foi adaptado para o cinema em 2014. Seus livros seguintes foram The Thing Around Your Neck (2009), uma coletânea de contos sobre a relação entre homens e mulheres, pais e filhos; e o romance Americanah (2013).

Chimamanda ficou mais conhecida a partir de suas falas no TED em 2009 (The Danger of a Single Story), 2012 (Connecting Cultures e We should all be feminists). Uma de suas falas, We Should All Be Feminists (Sejamos todos feministas) foi utilizada na canção “***Flawless”, da Beyoncé, em 2013, e foi publicada em formato de ensaio em 2014. Seu outro ensaio publicado é Dear Ijeawele, or A Feminist Manifesto in Fifteen Suggestions (Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto) publicado agora em 2017.

[pb_blockquote component_description=”citação cna” author=”Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah”]Mas Ifemelu não tivera uma grande epifania, não existia um motivo; simplesmente, camadas e camadas de descontentamento haviam se assentado sobre ela e formado uma massa que a impelia.[/pb_blockquote]

74. Clara(h) Averbuck (1979 – )

Clara Averbuck Gomes é uma escritora brasileira nascida em Porto Alegre. O H no fim do seu nome surgiu no primeiro ano do segundo grau, de uma brincadeira entre colegas, mas aos poucos deixou de ser utilizado. Abandonou a escola no segundo grau, tentando supletivo mais tarde, que abandonou novamente. Retomou o supletivo para tentar entrar na faculdade, começou Letras e Jornalismo na PUC-RS, mas abandonou os dois cursos ainda no primeiro ano.
Publicou seus primeiros textos de forma independente, na Internet (a partir daqui, várias das escritoras dessa lista tem a internet como meio de divulgação). Em 1998, escreveu para a revista digital Não-til, e no ano seguinte, para o CardosOnline. Em 2001, foi para São Paulo e começou a escrever sua primeira novela, Máquina de Pinball, publicada em 2002 e adaptada para o teatro em 2003. Seu segundo e terceiro livro foram Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante, publicado em 2003, e Vida de Gato, publicado em 2004. Seu livro seguinte, Nossa Senhora da Pequena Morte, lançado em 2008, teve um formato diferente, unindo folhas que reproduzem páginas escritas à mão e datilografadas, capa de LP e vinis. Seus livros mais recentes são: a coletânea de crônicas, Cidade Grande no Escuro, de 2012; Eu Quero Ser Eu, novela infanto-juvenil publicada em 2013; e Toureando o Diabo, de 2014, em parceiria com a ilustradora Eva Uviedo e viabilizado por meio de financiamento coletivo (outra tendência bastante atual).

Clara atualmente mantém com mais duas autoras o site Lugar de Mulher, e dá oficinas de Escrita Criativa.

[pb_blockquote component_description=”citação ca” author=”Clara Averbuck, Toureando o Diabo”]Afora a cozinha e os sapatos azuis, a casa e a mala estavam intocadas em suas respectivas zonas. Minha casa era uma maçaroca de memórias. Eu guardava as garrafas dos dias bons com as memórias dentro, guardava as chaves de todos os lugares onde morei, guardava caixas e mais caixas de toda a sorte de papel. Isso pode virar doença, né, e a pessoa pode morrer afogada em apego e passado. Ai, minha casinha cheia de coisas que acumulo há anos e anos. Muito livro. Muito disco. Muito sapato. Se tentassem assaltar minha casa, só conseguiriam vender itens em brechós e sebos por uma mixaria. Aliás, eu mesma deveria fazer isso. Uma hora dessas. Uma hora dessas eu devia abrir as janelas para o sol entrar, as caixas para a poeira sair e me livrar de tudo aquilo em meio de uma inevitável crise de rinite.[/pb_blockquote]

75. Tatiana Salem Levy (1979 – )

Tatiana Salem Levy é uma escritora brasileira nascida em Portugal. Descendente de judeus turcos, nasceu durante a Ditadura Militar, quando a família estava exilada em Portugal. Voltaram para o Brasil nove meses depois do nascimento, devido à Lei da Anistia brasileira.

Graduou-se em Letras pela UFRJ em 1999. Em 2002, fez mestrado em Estudos Literários na PUC-Rio. Tem textos publicados em diversas coletâneas, mas seu primeiro livro foi A Chave de Casa, de 2007, um romance com traços autobiográficos. Em sua obra, a narradora, uma brasileira descendente de judeus turcos que foram expulsos de Portugal pela Santa Inquisição, recebe do avô a missão de procurar a antiga casa da família na Turquia.

Seu romance seguinte foi publicado em 2011, Dois rios, contando a história de dois irmãos que se apaixonam por uma francesa.

À parte esses trabalhos, organizou, em 2010, a coletânea de contos Primos, com outros autores, e publicou dois livros infantis, Curupira Pirapora e Tanto Mar. Seu livro mais recente é o romance Paraíso, publicado em 2014.

[pb_blockquote component_description=”citação tsl” author=”Tatiana Salem Levy, A chave de casa”]Não faço outra coisa senão olhar, tocar, observar a chave. Conheço seus detalhes de cor, o tamanho preciso de suas curvas e de sua argola, seu peso, sua cor gasta. Uma chave desse tamanho não deve abrir porta alguma. A essa altura já deveriam por certo ter mudado, se não a porta, certamente a fechadura. Seria um disparate acreditar que tanto tempo depois a chave da casa permaneceria a mesma. Tenho certeza de que até meu avô é consciente disso, mas também imagino que deva ter uma curiosidade enorme de saber se ainda está lá o que deixou para trás. Que coisa estranha, que coisa esquisita deve ser: largar o país, a língua, abandonar a família em direção a algo completamente novo e, sobretudo, incerto.[/pb_blockquote]

76. Ana Guadalupe (1985 – )

Ana Guadalupe é uma poeta de Londrina, que mora atualmente em São Paulo.

Sempre gostou de poemas, mas começou escrevendo prosa na infância, até os 13 anos, quando percebeu que se expressava melhor de maneira poética e passou a escrever poemas. Durante a faculdade de Letras, que cursou na Universidade Estadual de Maringá, fez estágio na Biblioteca Municipal da cidade, o que fez com que passasse a ler e escrever muito mais. Manteve seus poemas no blog roxy carmichael nunca voltou, e começou a publicar em revistas, sites e antologias diversas, o que continua fazendo. Alguns de seus poemas estão disponíveis em seu blog, bem como informações a respeito de suas publicações em outros meios e entrevistas que deu.

Em 2011, publicou sua primeira coletânea de poemas, Relógio de Pulso, e, em 2015, publicou Não Conheço Ninguém que Não Seja Artista, em coautoria com a fotógrafa Camila Svenson. Nessa obra, a poeta escreveu um poema para cada fotografia de Camila, criando um diálogo entre as duas expressões artísticas.

[pb_blockquote component_description=”citação ag” author=”Ana Guadalupe, A/C Proprietário do imóvel”]caro proprietário deste imóvel
em que vivo já há algum tempo
sem nunca no entanto abandonar o medo
de você acordar meio mal-humorado
ou querendo abrigar seu sobrinho
que faz faculdade de cinema
ou apenas irritado
com meus hábitos noturnos
conforme informaram os gestores
do condomínio

acredito ingenuamente
que se você me conhecesse
mudaria de ideia de forma brusca
enfrentaria a reprovação dos parentes

se você me conhecesse
veria meu esforço e esmero
saberia que morei em outros 23 espaços alugados
antes de chegar rolando a este

se então fôssemos amigos
que se conhecem há menos de um mês
mas já se compreendem profundo
você notaria que sua renda total é suficiente
e que eu tenho tristezas o bastante
para que você me liberte dos valores
e avise rapidamente os gestores
que tenho o direito de residir para sempre
e livre de medo
neste seu apartamento[/pb_blockquote]

77. Aline Valek (1986 – )

Aline Valek é uma escritora e ilustradora brasileira. Graudou-se em Publicidade no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e trabalhou como redatora publicitária, carreira que abandonou para se dedicar à literatura.

Assim como outras escritoras da lista de hoje, Aline está envolta pelas novas tecnologias. Teve um podcast, foi editora do portal de quadrinhos do Update or Die!, é criadora do Bobagens Imperdíveis, que começou como newsletter e agora é um zine físico, e é ilustradora e criadora do Literatura Ilustrada.

Além disso, é colunista da Carta Capital, e editou a coletânea de ficção científica feminista Universo Desconstruído, em 2013, tonando-se co-criadora e editora de um selo independente de Ficção Científica.

Seus dois primeiros livros foram coletâneas de contos publicadas de forma independente, Hipersonia Crônica e Pequenas Tiranias, de 2014 e 2015, respectivamente. Sua obra seguinte, o romance As Águas-Vivas Não Sabem de Si, foi publicado em 2016 pelo selo Fantástica da Editora Rocco.

[pb_blockquote component_description=”citação av” author=”Aline Valek, As águas-vivas não sabem de si”]Descobriu com alguma infelicidade que ser um indivíduo também era ser pequeno e sentir medo o tempo inteiro. Então foi invadida por uma enorme tristeza: se todos aqueles à sua volta também fossem como ela, então igualmente eram seres preenchidos de medo, sofrimento e solidão, todos fazendo o seu possível para sobreviverem, também como ela.[/pb_blockquote]

78. Sheyla Smanioto (1990 – )

Sheyla Smanioto é uma escritora paulista, autora do romance Desesterro, selecionado para publicação no Prêmio Sesc de Literatura de 2015. É graduada em Estudos Literários e mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp. Além disso, é formada em dramaturgia pelo Núcleo de Dramaturgia do SESI/British Council.

Seu primeiro livro publicado foi a coletânea de poemas Dentro e Folha, publicado em 2012 pelo Coletivo Dulcineia Catadora. Em 2014, escreveu a peça No Ponto Cego. Tem um livro de contos ainda não publicado, Selfie service, escrito com apoio do Proac Criação Literária 2014/2015, e o projeto de seu segundo romance foi selecionado pelo Rumos Itaú Cultural de 2016 e está em desenvolvimento.

Sheyla também fez o roteiro do web documentário Osso da fala (2013), realizado em parceria com Raphael Picerni e premiado pelo Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo 2012/2014, e tem ensaios publicados em revistas, dentre os quais Papel do futuro, futuro de papel, de 2010, e Poéticas à beira de, de 2012.

[pb_blockquote component_description=”citação ss” author=”Sheyla Smanioto, Desesterro”]Quando a neta mais nova da louca era recente, toda Vilaboinha dizia com certeza: é cega. É cega, veja, tem olho esvaziado, não vê? Parece que não foi chocado, ficou ovo, coitado, com outro ovo do lado. Mas um médico a cavalo deixou Vilaboinha de olhos arregalados: a menina vê bem até demais, repetia, e a louca da Penha finge que não vê, porque no fundo ela e tudo a gente sabe, a neta vê tudo, tudinho. Até o que não deve.[/pb_blockquote]

79. Luisa Geisler (1991 – )

Luisa Dalla Valle Geisler é uma escritora brasileira. Em 2011, aos 19 anos de idade, foi selecionada na categoria contos do Prêmio Sesc de Literatura publicando seu livro de estreia, Contos de Mentira. No ano seguinte, foi selecionada na categoria romance do mesmo prêmio, publicando o romance Quiçá.

Luisa estudou um ano do curso de Letras na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), participando, em 2010, de uma oficina de criação literária com o escritor Assis Brasil. Em 2011, volta à universidade, fazendo dois cursos ao mesmo tempo: Relações Internacionais, na Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio Grande do Sul (ESPM/RS), e Ciências Sociais, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Publicou, em 2014, seu terceiro livro e segundo romance, Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente.

[pb_blockquote component_description=”citação lg” author=”Luisa Geisler, Contos de Mentira”]Atravesso as calçadas pra ter avenidas inteiras só pra mim. Às vezes, evitar as pessoas me faz bem. Como se, quando eu estivesse numa multidão, a multidão sugasse minha energia[/pb_blockquote]

80. Jarid Arraes (1991 – )

Jarid Arraes é uma escritora e cordelista brasileira, nascida em Juazeiro do Norte, Ceará. Filha e neta de cordelistas, teve contato com essa manifestação artística desde cedo, notando que havia poucas mulheres cordelistas, poucas personagens femininas e que nunca tinha visto um posicionamento mais feminista dentro dessas obras. Sua decisão de fazer cordel levou tudo isso em consideração. Estava conversando com seu pai em um dia, dizendo que tinha vontade de fazer um cordel, e na manhã seguinte já tinha seu primeiro cordel pronto, Dora: A Negra e Feminista.

Depois desse, veio A Luta da Mulher Contra o Lobisomem, onde fala de machismo e estupro. Produziu também A Menina Que Não Queria Ser Princesa, voltado para jovens garotas e seus pais, e Nêga Braba, entre muitos outros títulos (mais de sessenta).

Além dos cordeis, Jarid publicou o livro de contos infanto-juvenis As Lendas de Dandara em 2015, com ilustrações de Aline Valek. Além disso, criou o projeto Terapia Escrita, media o Clube da Escrita Para Mulheres e o Clube Leitura Independente, e tem publicações em parceria com a Artigo 19 e o Think Olga.

[pb_blockquote component_description=”citação ja” author=”Jarid Arraes, Dora: A Negra e Feminista”]Sua força construiu
Aos seus traumas superou
Dora então ganhou coragem
Sua identidade encontrou
Cortou a raiz do medo
E em mulher se transformou.
[/pb_blockquote]

E terminamos aqui as nossas sugestões de escritoras para conhecer até o dia da mulher. Foi uma lista trabalhosa de fazer, mas muito prazerosa. Muitas dessas autoras eu conhecia, mas não sabia muito a respeito de suas biografias, foi interessante saber mais. Além disso, procurar informações a respeito delas fez com que eu descobrisse ainda mais escritoras que, por já estar com a lista e o projeto prontos, não tinha como incluir aqui. Uma pena! Mas pretendo conhecer mais sobre elas e, quem sabe, fazer uma postagem complementando esta aqui, trazendo novos nomes.

Além disso, aceito sugestões e indicações. Sei que tem muita gente boa escrevendo atualmente e, também, muita gente boa que escreveu no passado e que não recebeu o devido destaque. Se acreditamos que tais escritoras devam receber a importância que merecem, o primeiro passo é justamente divulgar seus trabalhos.

Fiz um vídeo mostrando algumas obras de algumas das escritoras mencionadas durante a série. Não dá para aprofundar muito em um vídeo só, mas pelo menos dá para dar um gostinho e, quem sabe, incentivar ainda mais o início da sua leitura. Quem quiser assistir, está logo abaixo 🙂

[pb_video component_description=”desalinho 001″ type=”youtube” src=”https://youtu.be/3N1fRJJ-1Lg” player_width=”750″][/pb_video]

E é isso, por agora. Espero realmente que tenham gostado das postagens (e do vídeo). Provavelmente vou voltar a falar de váááárias dessas 80 escritoras, mas não assim, né? desse jeitinho distante e catalogado. Vamos trazer mais pra perto, porque literatura tem que estar bem grudada na cabeça, no coração e no corpo da gente, pra que sintamos de fato.

Até a próxima postagem 🙂

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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