Entrevista com a personagem – Curso de Extensão em Escrita Criativa da PUC-RS


Oi, pessoal.

Conheci essa entrevista abaixo no Curso de Extensão em Escrita Criativa da PUC-RS. Há muitas variações possíveis para essa entrevista, e você pode adicionar e excluir perguntas da forma como preferir. Essa lista específica é apenas um modelo, uma possibilidade, para que você, que não tem nenhuma estratégia de criação de personagem, tenha algum lugar por onde começar.

Entrevista com a Personagem

Responda às perguntas abaixo na voz da personagem (usando a 1ª pessoa). Boas personagens demonstram características únicas e muitas vezes têm a semente de uma história dentro de si. Explore essas possibilidades.

1) Qual o seu nome, idade e profissão?
2) Descreva as circunstâncias de seu nascimento e infância.
3) Descreva o que você vê quando olha no espelho.
4) Como você descreveria a sua personalidade?
5) Qual o seu maior segredo?
6) Fale sobre o seu gênero e sexualidade.
7) Quando foi a última vez que você disse “eu te amo”?
8) Se dinheiro não fosse um problema, o que você faria da sua vida?
9) Qual foi o melhor conselho que você já recebeu?
10) Como você se comporta perto de pessoas do mesmo sexo? E do sexo oposto?
11) Qual o seu maior medo?
12) Qual o seu maior objetivo?
13) Quem são as pessoas mais importantes para você?
14) O que você mais gosta (e menos gosta) de fazer?
15) Fale sobre a sua família.

* As perguntas podem ser respondidas em qualquer ordem, e algumas podem ser puladas, caso você ache necessário.


Dicas

  • Em histórias contemporâneas (ou seja, que acontecem na nossa época), gosto de pensar sobre a relação das personagens com atividades cotidianas. Por exemplo, a personagem assinaria Netflix? O que ela assistiria? O que veria no Youtube? Como se comportaria nas redes sociais, etc. Mesmo que nada disso vá para a história, ajuda a ter uma visão de como é a personagem no dia a dia, como ela se relaciona com as pessoas, etc.
  • Tente pesar características positivas e negativas. Ninguém é perfeito, todo mundo tem falhas. Se você quer que os/as leitores/as se identifiquem com suas personagens, elas precisam ter traços semelhantes aos de pessoas reais, e isso inclui ter qualidades E defeitos. Inclusive em relação à aparência.
  • Se você mora no Brasil, escreve em português e não está fazendo uma história fantástica que se passa em outro mundo, pense em primeiro lugar no Brasil como uma possibilidade de ambientação para sua história. A gente escreve melhor sobre o que conhece, e não faz sentido criar uma história em Nova Iorque se você nunca esteve lá (Google não ajuda a captar a essência dos lugares).
  • O mesmo vale para nomes. Pense, em primeiro lugar, em nomes usados normalmente no Brasil. Muita gente batiza os personagens com nomes americanos ou japoneses, influenciados pelos tipos de histórias que lêem. Mas as tais histórias só tem aqueles nomes porque são originárias dos Estados Unidos ou do Japão. Sua história é originária do Brasil. Escreva em “brasileiro”. Vai ser muito mais fácil de os/as leitores/as se identificarem com sua história e personagens.

Se quiser saber mais, pode assistir o vídeo sobre personagens da série sobre elementos da narrativa que fiz para o meu canal no YouTube.

Thays Pretti

Escreve crônicas para O Diário do Norte do Paraná desde 2015, mas já escreve em blogs desde a adolescência. Tem contos em algumas antologias e um livro na Amazon, "Efêmeras". Gosta mais de escrever do que de paçoca. E olha que gosta de paçoca, hein?

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Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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