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Crônica: Um elogio ao spoiler


Eu sempre fui clichê. Um estereótipo a quem um dia alguém tocou com as costas da mão e disse “parla”, e eu passei a existir por aí. Esse gesto, aliás, diz-se que Michelangelo teria feito quando terminou a estátua de Moisés, indicando que era tão real que só faltava falar. Achei arrogante, mas era o

Crônica: Humanos


Clarice Lispector certa vez traduziu um texto que falava do realismo em arte. O texto fechava com a conclusão de que fazer perguntas sobre a arte é fazer perguntas sobre a vida, já que uma e outra são interligadas ao ponto de serem como uma coisa só. Se a vida é cada batida de um

Crônica: Trinta


Na manhã seguinte ao dia em que completei trinta anos, nada aconteceu. Os astros continuavam percorrendo suas órbitas habituais, o amanhã continuava sendo a sequência natural do hoje, que seguia o ontem como sempre fizera. Não houve nenhuma catástrofe global, não fiquei mais grave e mais séria, nenhuma ruga brotou ao redor dos meus olhos

Crônica: Plástico-bolha


Não é só comigo, eu sei, mas há uma coisa que me atrai mais que o produto que eu porventura compre e receba pelos Correios ou transportadora: o plástico-bolha. A reação costuma ser, “ah! chegou o produto, que ótimo, vou guardar, usar. Mas esse plástico-bolha aqui… vai fazer parte da minha vida.” Nessa semana chegou

Crônica: Malemolência


Falei sobre Clarice Lispector e minha aluna começou a pesquisar. Encasquetou com a data de nascimento da autora, parece que ficou um tempo em cima disso, procrastinando sem perceber. Trouxe a questão para mim, quase irritada, dizendo que achou duas possibilidades, 1920 e 1925, e que não sabia qual era a certa. Eu dei a

Crônica: Felicidade em patas macias


Li certa vez um conto de J. M. Simmel (fui procurar agora o nome do autor) chamado “Felicidade em patas macias”. Mais do que o conto em si, o que mais me impressionou foi o título, e a ligação de tal título com o animal presente na história: um gato. Desde então, nunca consegui desatrelar

Crônica: Das estruturas


Curtir. Reações: Amei. Haha. Uau. Triste. Grr. Marco à toa, só pelos símbolos. Nem sempre o que se faz é o que se sente. O que acontece na tela não é o que acontece comigo. Vidas e vidas passam sob meus dedos que rolam para cima uma interminável lista de acontecimentos. Alguém engravidou. Alguém teve

Crônica: Metamorfoses


Desde a mais remota antiguidade, sempre houve, disfarçado por entre a humanidade, um tipo de indivíduo chamado metamorfo. Muitas vezes, essas pessoas foram classificadas com nomes diversos, sendo vistas como pessoas com ligações obscuras, místicas, escusas. Metamorfos foram apontados como feiticeiros, especialmente quando mulheres – bruxas, criminosas, terríveis. Foram às vezes identificados como melancólicos. Histéricos.

Crônica: Lavar as mãos


Minha mãe é espírita, daquelas que algumas pessoas chamam kardecista, porque há quem confunda espiritismo com religiões de raiz africana e, pior do que isso, há quem acredite que haja algo de ruim nessa confusão – como se as religiões de origem africana fossem menos dignas do que as outras. Já ouvi dizerem “sou espírita,

Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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