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Crônica: Nós


Essa foi a cena: um casal falando sobre algo que me fugiu aos ouvidos. Ela tinha um olhar que habitava entre a tristeza e a preocupação, ele disse “vai ser o melhor para nós”, e não sei de mais nada, não consegui me desprender dessa frase, vai ser o melhor para nós. Não sei se

Crônica: Afeto


No complexo método de organização de todas as coisas viventes e não viventes que existem sobre a Terra (além daquelas que não existem) há uma categoria que agrupa objetos os quais, ainda que julguemos possuí-los, não pertencem a qualquer pessoa de fato. Reúnem-se sob esse título as esferográficas azuis de corpo transparente, vulgarmente chamadas canetas

Crônica: Voadora


Juro que não queria falar sobre esse tema. Fujo dele. Mas ele entrou voando pela janela da cozinha, pousou e me cercou no canto, acuada. Era uma barata. Uma barata grande e gorda, bem adulta, acredito eu, ainda que eu não saiba – e nem queira saber – coisa alguma sobre o ciclo de vida

Crônica: Síndrome de Pateta


[…] Enfim, aprendi a dirigir. Se não ficou claro, explico-me: as reticências do início do texto marcam a supressão de um período longo de tempo, que envolveu dificuldades para memorizar marchas e um portão amassado. Mas isso tudo é irrelevante quando se considera o fim: aprendi a dirigir e, ainda que não seja uma exímia

Crônica: O manual do silêncio


Seria assim: nasceríamos todos com um manual, cujas páginas seriam identificadas pela idade e que mostraria do que deveríamos gostar em cada fase da vida. Sem esforço, sem confusão, sem dramas. Tudo estaria claramente explicado ali, e quando fizéssemos aniversário, apenas precisaríamos consultar o manual e voilà! A vida se organizaria. Sem dramas. Minha amiga

Crônica: A pequena seita de devoradores de cérebros


Começa assim: você tem alguma coisa importante para fazer. Talvez não urgente. Talvez sem um prazo. Como não há um prazo, você acaba postergando a realização, deixando para quando estiver com melhor humor, ou para uma melhor ocasião, adiantando coisas que precisam ser planejadas ou realizadas ou entregues, coisas com data marcada, deadlines. E vai

Crônica: Pulsações


Lentamente, espalha-se pelo chão a aurora fria e cristalina, alumiando árvore, monte, rio. Sonolenta, vai puxando delicadamente o lençol noturno: o despertar nunca é brusco. É tempo, é hora, há urgência. Mas o dia não tem pressa. O que está em torno, respira. No que se prepara, sensibilidades. Profundidades se buscam, há incompletude no gesto,

Crônica: Sobre máscaras e personagens


É preciso ser sincera: existe uma dificuldade imensa em ser professora quando se é introvertida. Aliás, não só em ser professora. Ser introvertida faz com que todo contato com outra pessoa seja potencialmente complexo: o universo da pessoa introvertida está interditado ao encontro com o outro, tudo parece insignificante demais para ser dito e, por

Crônica: Feijão nosso de cada dia


Hoje, tudo amanheceu diferente. Não sei se você notou. Há uma coisa no ar, uma aura, um cheiro de não-sei-o-quê: talvez seja feijão no fogo. Parece que em cada casa, cada apartamento, cada assentamento, cada oca, cada barraco, cada canto embaixo de uma ponte onde haja um foguinho e uma lata, estão cozinhando feijão. À

Crônica: Em defesa da barraqueira


Desde que o mundo é mundo, os seres humanos tendem a adotar alguns tipos sociais dentro do grupo. Tem o esforçado, o legalzão, o irritante, o que ouve música alta no transporte público. Tem o amante de som automotivo e o que só ouve indie, deixa barba crescer, usa chapéu. Tem a mãezona e a

Crônica: Cinco minutos


Não fiquei sabendo seu nome, até porque não importava. Sendo inconscientemente um sósia do filósofo que serviu de suporte para minha pesquisa no Mestrado, ele não precisava ter um nome mesmo. E talvez até tenha se apresentado quando minha amiga A. chegou até a mesa dele, num restaurante perto da UTFPR de Guarapuava, perguntando se

Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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