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Histórias para as crianças que ainda somos


Quando dei aula de literatura infanto-juvenil no curso de Letras lemos vários livros juntos, de forma mais ou menos cronológica, para observar como esse gênero se desenvolveu no Brasil no decorrer dos anos. Eu sempre chamava a atenção para o fato de que os narradores, no início, eram adultos, que determinavam as regras e ensinavam

Do horrível que somos nós


De repente, parece que o mundo deu errado ou está andando para trás – e nem tem a ver com o eclipse solar desses dias ou todas as teorias apocalípticas em torno dele. A coisa é muito menos mística, mais de carne e osso. Mais reveladora do horrível que somos nós. Uma professora foi espancada

Crônica: Angústia


Até ter uns 18 anos, eu nunca tinha visto um morto. O pai do meu pai morreu, eu não o vi. A mãe do meu pai morreu, eu também não a vi. Ficava sempre na casa de alguém, enquanto meus pais iam. Era um tipo de passeio que, desde pequena, nunca fiz questão de fazer:

Crônica: Relligare


“Onde está escrito isso?”, eu perguntava, perscrutando o livro infantil que minha mãe lia em voz alta para mim. Como podia haver tantas histórias e aventuras morando naqueles rabisquinhos no papel? Eu não sabia. Mas o certo era que os livros já faziam parte da minha vida antes mesmo que eu soubesse ler. Objetos, animais

História da Carochinha


Era uma vez, numa mata não tão distante, uma comunidade de aves diversas. Aves. Passarinhos não, pois algumas aves se ofendiam em serem chamadas de passarinho. Então, para evitar desconfortos, ninguém chamava ninguém de passarinho. Aves, nesse quesito, são como humanos: se respeitam muito. A não ser entredentes. A não ser entre os íntimos. A

Crônica: Um elogio ao spoiler


Eu sempre fui clichê. Um estereótipo a quem um dia alguém tocou com as costas da mão e disse “parla”, e eu passei a existir por aí. Esse gesto, aliás, diz-se que Michelangelo teria feito quando terminou a estátua de Moisés, indicando que era tão real que só faltava falar. Achei arrogante, mas era o

Crônica: Plástico-bolha


Não é só comigo, eu sei, mas há uma coisa que me atrai mais que o produto que eu porventura compre e receba pelos Correios ou transportadora: o plástico-bolha. A reação costuma ser, “ah! chegou o produto, que ótimo, vou guardar, usar. Mas esse plástico-bolha aqui… vai fazer parte da minha vida.” Nessa semana chegou

Crônica: Sobre máscaras e personagens


É preciso ser sincera: existe uma dificuldade imensa em ser professora quando se é introvertida. Aliás, não só em ser professora. Ser introvertida faz com que todo contato com outra pessoa seja potencialmente complexo: o universo da pessoa introvertida está interditado ao encontro com o outro, tudo parece insignificante demais para ser dito e, por

Crônica: Feijão nosso de cada dia


Hoje, tudo amanheceu diferente. Não sei se você notou. Há uma coisa no ar, uma aura, um cheiro de não-sei-o-quê: talvez seja feijão no fogo. Parece que em cada casa, cada apartamento, cada assentamento, cada oca, cada barraco, cada canto embaixo de uma ponte onde haja um foguinho e uma lata, estão cozinhando feijão. À

Crônica: Em defesa da barraqueira


Desde que o mundo é mundo, os seres humanos tendem a adotar alguns tipos sociais dentro do grupo. Tem o esforçado, o legalzão, o irritante, o que ouve música alta no transporte público. Tem o amante de som automotivo e o que só ouve indie, deixa barba crescer, usa chapéu. Tem a mãezona e a

Crônica: Cinco minutos


Não fiquei sabendo seu nome, até porque não importava. Sendo inconscientemente um sósia do filósofo que serviu de suporte para minha pesquisa no Mestrado, ele não precisava ter um nome mesmo. E talvez até tenha se apresentado quando minha amiga A. chegou até a mesa dele, num restaurante perto da UTFPR de Guarapuava, perguntando se

Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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