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Histórias para as crianças que ainda somos


Quando dei aula de literatura infanto-juvenil no curso de Letras lemos vários livros juntos, de forma mais ou menos cronológica, para observar como esse gênero se desenvolveu no Brasil no decorrer dos anos. Eu sempre chamava a atenção para o fato de que os narradores, no início, eram adultos, que determinavam as regras e ensinavam

Crônica: O movimento da anti-pós-verdade


Quero começar um movimento, e vai ser assim: movimento da anti-pós-verdade. O manifesto vai ser curto – quando a gente se alonga muito corre mais risco de falsear. Dizer pouco para dizer certeiro. A pós-verdade é flébil. Se sustenta do disse que disse, no ‘eu acho que’, ‘vi no facebook’, ‘recebi no whatsapp’. Não se

História da Carochinha


Era uma vez, numa mata não tão distante, uma comunidade de aves diversas. Aves. Passarinhos não, pois algumas aves se ofendiam em serem chamadas de passarinho. Então, para evitar desconfortos, ninguém chamava ninguém de passarinho. Aves, nesse quesito, são como humanos: se respeitam muito. A não ser entredentes. A não ser entre os íntimos. A

Crônica: Metamorfoses


Desde a mais remota antiguidade, sempre houve, disfarçado por entre a humanidade, um tipo de indivíduo chamado metamorfo. Muitas vezes, essas pessoas foram classificadas com nomes diversos, sendo vistas como pessoas com ligações obscuras, místicas, escusas. Metamorfos foram apontados como feiticeiros, especialmente quando mulheres – bruxas, criminosas, terríveis. Foram às vezes identificados como melancólicos. Histéricos.

Crônica: Lavar as mãos


Minha mãe é espírita, daquelas que algumas pessoas chamam kardecista, porque há quem confunda espiritismo com religiões de raiz africana e, pior do que isso, há quem acredite que haja algo de ruim nessa confusão – como se as religiões de origem africana fossem menos dignas do que as outras. Já ouvi dizerem “sou espírita,

Crônica: Nós


Essa foi a cena: um casal falando sobre algo que me fugiu aos ouvidos. Ela tinha um olhar que habitava entre a tristeza e a preocupação, ele disse “vai ser o melhor para nós”, e não sei de mais nada, não consegui me desprender dessa frase, vai ser o melhor para nós. Não sei se

Crônica: Simples como um aperto de mão


Sobre a língua, a saliva pairava inexplicavelmente grossa como sangue coagulado. Mas ele não engolia, não cuspia, e a saliva permanecia ali, densa, morna, lodosa. Os olhos, mantinha-os vítreos; o sorriso, plástico. Homens sociais, cumprimentavam-se mutuamente na dissimulação de uma simpatia. Falsa. Ambos se detestavam. O primeiro soltava a mão do outro com a amargura

Quem escreve

Thays Pretti

Thays Pretti

Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá, escrevo desde que me entendo por gente. Gosto de literatura escrita por mulheres, e também de literatura com pegada social ou existencialista. Gosto mais de livros de ficção do que de teoria, e prefiro a poesia ao pó.

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